Antonio Carlos Viana morre.

 

Xeque mate. Qua
renta e dois anos 
depois do primeiro volume publicado, desde quando Antonio Carlos Viana se meteu numa peleja sem recompensa "para tapear a morte", a partida chega ao fim. Vai-se o homem, para tristeza da família e amigos. Os livros ficam.
‘Brincar de manja’ (1974), ‘Em pleno castigo’ (1981), ‘O meio do mundo e outros contos’ (1999), ‘Aberto está o inferno’ (2004), ‘Cine Privê’ (2009) e ‘Jeito de matar lagartas’ (2015). Estes, o saldo da contenda. Além da substância material dos contos reunidos em tantos volumes, um espólio dos mais ricos, no entanto, resta, sobretudo, a cumplicidade manifesta em alta literatura. O homem é estômago e sexo, Viana o sabia. Mas, nem por isso, menos digno de simpatia.
Não deixa de ser curioso notar que ‘Jeito de matar lagartas’, ponto final do contista, tenha deslocado o eixo habitual da narrativa para o extremo fatal da vida – um desfile de ruínas e músculos inertes. Outro dado digno de nota: as feições de Aracaju nunca estiveram como aqui tão salientes. É como se, em seu esforço derradeiro, Viana se voltasse para as limitações sentidas na própria pele.
Os livros ficam. A família dispensa o choro e as velas. No bota fora promovido ontem à tarde, no hall da Biblioteca Epifânio Dória, música e poesia, uma celebração do homem. Assim como a literatura do próprio Antonio Carlos Viana.
O escritor – Antonio Carlos Viana nasceu em Aracaju, em 1944. Fez seus estudos literários na PUC – RS e na Universidade de Nice, na França, onde conclui o doutorado em literatura comparada. Contista e tradutor, Viana foi agraciado duas vezes com o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), antes de ser finalmente vencido por um mieloma, na manhã de ontem.

Xeque mate. Quarenta e dois anos depois do primeiro volume publicado, desde quando Antonio Carlos Viana se meteu numa peleja sem recompensa "para tapear a morte", a partida chega ao fim. Vai-se o homem, para tristeza da família e amigos. Os livros ficam.

‘Brincar de manja’ (1974), ‘Em pleno castigo’ (1981), ‘O meio do mundo e outros contos’ (1999), ‘Aberto está o inferno’ (2004), ‘Cine Privê’ (2009) e ‘Jeito de matar lagartas’ (2015). Estes, o saldo da contenda. Além da substância material dos contos reunidos em tantos volumes, um espólio dos mais ricos, no entanto, resta, sobretudo, a cumplicidade manifesta em alta literatura. O homem é estômago e sexo, Viana o sabia. Mas, nem por isso, menos digno de simpatia.

Não deixa de ser curioso notar que ‘Jeito de matar lagartas’, ponto final do contista, tenha deslocado o eixo habitual da narrativa para o extremo fatal da vida – um desfile de ruínas e músculos inertes. Outro dado digno de nota: as feições de Aracaju nunca estiveram como aqui tão salientes. É como se, em seu esforço derradeiro, Viana se voltasse para as limitações sentidas na própria pele.

Os livros ficam. A família dispensa o choro e as velas. No bota fora promovido ontem à tarde, no hall da Biblioteca Epifânio Dória, música e poesia, uma celebração do homem. Assim como a literatura do próprio Antonio Carlos Viana.


O escritor – Antonio Carlos Viana nasceu em Aracaju, em 1944. Fez seus estudos literários na PUC – RS e na Universidade de Nice, na França, onde conclui o doutorado em literatura comparada. Contista e tradutor, Viana foi agraciado duas vezes com o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), antes de ser finalmente vencido por um mieloma, na manhã de ontem.

 

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