AS OITO NOTÁVEIS

Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos

Domingo, dia 20 de novembro (Dia da Consciência Negra), começa mais uma edição da Copa do Mundo de Futebol, modalidade masculina. A vigésima segunda, desde 1930. Um dos torneios esportivos mais tradicionais da história da humanidade, que ocorre de quatro em quatro, com exceção do período entre 1938 e 1950, que correspondeu à Segunda Guerra Mundial e à reconstrução dos países envolvidos no conflito. Em 2022, acontece pela primeira vez no Oriente Médio, tendo como sede o Catar, pequeno em extensão, mas muito rico, muito em função da exploração do petróleo.
Ao longo dos anos, somente oito seleções alcançaram a façanha de ser campeã mundial: Inglaterra (1), Espanha (1), França (2), Uruguai (2), Argentina (2), Alemanha (4), Itália (4) e Brasil (5). Entre as vice-campeãs: Suécia (1); França (1); Croácia (1); Brasil (2); Tchecoslovaquia (2) – país extinto em 1992; Hungria (2); Itália (2); Argentina (3); Holanda (3); Alemanha (4).
A História das Copas se confundem em grande medida com os contextos históricos, políticos, sociais, econômicos e culturais dos tempos e locais de sua realização. Assim, num primeiro momento, a Europa não deu muita atenção para a competição, vencida em 1930 pelo Uruguai, que só ganhou novamente em 1950, contra o Brasil, em pleno Maracanã, calando mais de cem mil pessoas. Depois disso, sequer sediou uma Copa e não mais nada, além de torneios Sul-americanos e revelou grandes talentos, a exemplo de Suárez e Cavani, que devem estar no Qatar.
Em 1934 e 1938, em plena ascensão do Nazifascismo, a Itália foi bi-campeã (2 x 1 contra a Tchecoslovaquia e 4 x 2 contra a Hungria). A Europa entrava pra valer no torneio, tendo atualmente 12 títulos contra 9 dos sul-americanos. A Itália conquistou mais duas depois. Uma em 1982, depois de eliminar a favorita Seleção Brasileira nas Quartas-de-final, num jogaço em que Paulo Rossi fez três gols que eu jamais esqueci. É a primeira Copa de que tenho lembrança. E outra, em 2006, na Alemanha, vencendo a França nos pênaltis por 5 x 3, no famoso jogo da cabeçada de Zidane em Materazzi.
A poderosa Alemanha, sempre presente nas fases finais, passada a Segunda Guerra Mundial e livre do Nazismo, ganhou sua primeira Copa em 1954, depois em 1974, quando foi sede, sob o fantasma do Muro de Berlim (1961-1989), tri em 1990, na Itália, contra a Argentina, e o tetra no Brasil, contra a Argentina novamente, depois de ter aplicado um histórico e humilhante 7 x 1 na Seleção Brasileira, em pleno Mineirão, pela vaga na grande final.
A Argentina, vice em 1930, só voltou a dar o ar da graça e a dizer para que veio em 1978, quando sediou o torneio, em plena Ditadura Militar, sagrando campeã pela primeira vez. E depois disso, com Maradona, no timaço de 1986. Apesar do Messi, grande estrela mundial de futebol da atualidade, não passou do bicampeonato, tendo sido vice por três vezes, a última, no Brasil em 2014.
Além de Uruguai e Argentina, também é bicampeã a França, conquistando o primeiro título em casa, em 1998, contra o Brasil, e de forma incontestável (3 x 0), no famoso jogo em Ronaldinho apagou fora e dentro de campo. É a atual campeã do mundo, vencendo a Croácia por 4 x 2, numa final inédita, na Copa da Rússia, em 2018.
Com apena um título, cada, a Inglaterra (1966) e a Espanha (2010), na África do Sul, com time de tirar o chapéu e dar inveja a qualquer nação, a exemplo do goleiro Casillas, Sergio Ramos, Piqué, Xabi Alonso e Iniesta. A Inglaterra, que inventou o futebol, além de 66, não passou de discretas participações, jamais chegando à final depois daquele ano.
Por fim, o Brasil, que apesar do 7 x 1 da Alemanha, segue sendo uma das favoritas. É a única seleção com cinco títulos (58, 62, 70, 94 e 2002), com duas a três gerações bem distintas, marcadas pelas duplas Pelé e Garrinha (a maior e melhor de todas), Romário e Bebeto e Ronaldinho e Rivaldo. Duas vezes vice (50 e 98), também é única a ter estado em todas as 22 edições da Copa do Mundo, com campanhas pífias apenas em 1930 e 1966.
É fato que a Seleção Brasileira de 2022 é a melhor que a de 2018, também comandada por Tite. Também é fato que é uma das melhores desde 2002, há vinte anos, jejum maior do que esse só 1970-94. Mas, apesar de torcer pela amarelinha, que a extrema direita quer nos roubar, vou apostar em três outras seleções, não necessariamente nesta ordem: França, Argentina e Alemanha. E olhe lá se não der uma Polônia, uma Croácia ou mesmo uma Holanda, por três vezes numa final, com grandes seleções, e sem um título ainda.

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