Enxugando gelo

As páginas policiais não deixam margem para dúvida: o crime organizado já se abancou e disputa o território estadual com o governo de Sergipe. A apreensão regular de drogas no estado, em volume e regularidade cada vez maior, evidencia que o comércio de entorpecentes não atende apenas ao varejo das bocas de fumo. Sergipe está no mapa do tráfico.
Esta semana, equipes do Departamento de Narcóticos (Denarc) apreenderam mais de 120 kg de cocaína e Nossa Senhora do Socorro, município da Grande Aracaju. Nào se trata de pouca droga. Cada quilo do entorpecente pode chegar a valer R$ 25 mil.
Na operação em questão, dois homem foram presos, acusados pelo crime de tráfico de drogas. Mas estes não passam de soldados rasos, como todos os que são presos quase todos os dias, acusados de cometer o mesmo crime. Enquanto isso, as organizações criminosas prosperam, indiferentes aos esforços das autoridades da segurança pública no sentido de preservar as ruas livres da influência das grandes facções criminosas.
Sem investimento em inteligência, sem mirar a estrutura das organizações criminosas, o trabalho da polícia sergipana resulta muito limitado, tende apenas a enxugar o gelo. Resolve problemas pontuais, mas não resgata o território cobiçado pelo poder paralelo, imposto por força de armas, coação, intimidação, o território já na mira dos traficantes.

Na guerra contra o tráfico, os presos não passam de soldados rasos, enquanto organizações criminosas prosperam

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