Quinta, 20 De Junho De 2024
       
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'Azul dos Ventos' – Bispo do Rosário em Londres


Publicado em 14 de agosto de 2012
Por Jornal Do Dia


Trabalho de Bispo do Rosário - O primeiro e o mais importante artista da arte contemporânea no Brasil

Os esportes olímpicos não foram os únicos a atrair a atenção do público que acompanhou as Olimpíadas 2012 em Londres. Com viés esportivo, as artes também se fazem presentes na capital inglesa e tem como representantes brasileiras as obras do artista sergipano Arthur Bispo do Rosário na exposição Azul dos Ventos.

Azul dos Ventos tem apoio da Fundação Nacional de Artes (Funarte) – instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC) – e fica em exposição até 28 de outubro no Victoria & Albert Museum, um dos pontos turísticos de Londres.

"A escolha de Arthur Bispo do Rosário para representar o Brasil em um dos mais importantes museus da Europa é não só motivo de orgulho, mas também o reconhecimento de seu talento e genialidade", afirma o presidente da Funarte, Antonio Grassi.  Segundo ele, "o artista, que se dizia um escolhido de Deus, buscava, através de suas criações lúdicas, uma fuga para as inquietações".

Grassi enfatiza que, "nesta exposição, o público terá a chance de conhecer também o lado esportista de Bispo, que chegou a ser campeão de boxe".
As 83 obras da exposição reúnem as principais características do trabalho de Bispo do Rosário, que passou 50 anos internado no hospital psiquiátrico do Rio de Janeiro, a Colônia Juliano Moreira, e lá criou seu ateliê.  São faixas de miss, estandartes, roupas, barcos a vela, tacos de golfe, raquetes de tênis, argolas de ginástica olímpica que mostram a poética da junção de materiais descartados, bordados, consertos, sobreposições, escritas e desenhos.

O curador Wilson Lazaro, do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, explica que o conjunto de obras de Azul dos Ventos foi selecionado por sua representatividade dentro de um universo de 804 trabalhos deixados pelo artista. "As obras proporcionam a condição de cada um conferir o porquê do seu reconhecimento como o primeiro e o mais importante artista da arte contemporânea no Brasil e no mundo", exalta.

O artista e sua obra – Além de estandartes podres, lençóis encardidos, botões cariados, suspensórios de doutores, Bispo do Rosário usava a linha que desfiava de uniformes novos e usados de internos da Colônia Juliano Moreira para classificar, ensinar e apresentar em formas de brinquedos instrumentos musicais, arquitetura, objetos do cotidiano.

"O artista tinha a certeza de estar fazendo um objeto de arte, de reconstruir o fluxo do mundo e de eternizar toda informação do material existente na Terra. Foram construídos centenas de objetos durante quatro décadas", pontua Lazaro.
A obra de Bispo do Rosário ganhou destaque após sua morte em 1989. Segundo o curador Wilson Lazaro, "deve ser compreendida como uma grande e única Obra, uma instalação onde o artista morava, criava, fazia e sonhava nas dependências de um hospital psiquiátrico do Rio de Janeiro".

Após a exposição em Londres no âmbito das Olimpíadas 2012, o talento do artista Bispo do Rosário continua representando o rico patrimônio cultural brasileiro na Europa. As obras do artista farão parte da programação do Ano do Brasil em Portugal, em Lisboa, com realização da Funarte/MinC. Em ambos os eventos o investimento soma R$ 300 mil. Ano passado, o trabalho de Bispo do Rosário integrou a programação do Europalia – Brasil, na Bélgica.

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