Kátia Azevedo
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A baixa vazão da Bacia do Rio São Francisco em Sergipe está afetando o sistema de abastecimento de água em algumas cidades do Sertão do estado. A adutora Sertaneja, que atende a 11 municípios e 73 povoados, já apresenta problemas para captação de água. De acordo com a direção da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), devido ao baixo volume de chuvas e das dificuldades na produção do setor elétrico, a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) tem limitado a vazão do rio São Francisco para manter a produção de energia.
Ainda segundo a Deso, a queda da vazão do rio São Francisco causou dificuldades operacionais para a captação de água, obrigando a empresa a mudar o ponto de captação da adutora Sertaneja, sem prejuízo a vazão do sistema. A adutora fica em Amparo do São Francisco, próximo ao Povoado São José, e possui uma vazão medida de 300 litros por segundo. Além do município, atende as cidades de Canhoba, Nossa Senhora das Dores, Itabi, Graccho Cardoso, Cumbe, Feira Nova, Nossa Senhora da Glória, Carira, Aquidabã e povoados de Gararu e mais 73 outros povoados.
"Apesar da diminuição da vazão do São Francisco, as captações ficam bem situadas e não eram afetadas em anos anteriores. Este ano, das quatro principais captações de água da Deso, apenas em uma delas, a do Sistema Sertaneja, houve a necessidade de mudar a posição do abastecimento através de manobra operacional para que ela não perca a produção. Nos municípios atendidos pela Sertaneja, não há desabastecimento. A Deso fez mudanças na captação para que a produção de água seja mantida", explica o diretor-presidente da Deso, Antônio Sérgio Ferrari.
Ele informou ainda que a Deso aguarda a abertura de um diálogo com a Chesf, a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Comitê de Bacias Hidrográficas do São Francisco (CBHSF), para discutir a restrição de vazão do rio, de modo que ela aconteca sem prejudicar as captações de água da Deso.
Situação dos reservatórios – De acordo com a Divisão de Gestão de Recursos Hídricos (DGRH) da Chesf, o período úmido na Bacia do Rio São Francisco se estende de novembro a abril, sendo os meses de janeiro a março aqueles em que se registram as maiores médias nas afluências a Sobradinho. Ela informou que, durante o último período chuvoso, ocorreram vazões que permitiram o armazenamento máximo nos Reservatórios de Três Marias, Sobradinho e Itaparica nos valores de: 56,2%, 48,5% e 44,3 do volume útil (VU), respectivamente.
A Chesf explica que os elevados índices pluviométricos registrados acima da média histórica para o mês de dezembro na região do Alto São Francisco – e mais especificamente na região do Reservatório de Sobradinho – resultaram numa elevação das vazões, entretanto, a pluviometria para o mês de janeiro, até o presente momento, não tem se comportado da mesma forma, resultando em índices muito abaixo da média histórica.
Segundo informações divulgadas pelo CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a previsão climática de consenso para o trimestre entre fevereiro e abril de 2014 indica maior probabilidade de ocorrência de chuvas na categoria dentro a abaixo da faixa normal, para grande parte da Região Nordeste. Para o Sudeste, a previsão indica o padrão climatológico, com igual probabilidade de chuva para as três categorias (abaixo, normal e acima da normal climatológica).
A Chesf ressaltou que "o período úmido está apenas no início e que, à luz de hoje, não se dispõe ainda de ferramentas que definam a intensidade de sua hidraulicidade. De acordo com as previsões hidrometeorológicas e considerando a água que já está na calha do São Francisco, estima-se que o Reservatório de Sobradinho deverá atingir cerca de 51% de VU no final do mês de janeiro".


