Cândida Oliveira
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Falta de medicamentos, de equipamentos e de profissionais de saúde são alguns dos problemas encontrados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Nestor Piva, na Avenida Maranhão, 18 do Forte (zona norte de Aracaju). Eles foram comprovados na última sexta-feira, durante a visita de uma comissão formada por representantes do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindmed/SE), do Conselho Regional de Medicina de Sergipe (Cremese) e da Coordenadoria de Saúde Pública, vinculada a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE).
A visita gerou um relatório que foi apresentado ontem pelo Sindimed e pela OAB ao Ministério Público Estadual (MPE), Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju (SMS) – responsável pela unidade.
Segundo o vice-presidente do Sindimed, José Menezes, a instituição já visitou o local em novembro de 2013 e de lá para cá, os problemas só aumentaram. "Além de faltar coisas básicas, como luvas de procedimentos e estéreis, máscara de nebulização e remédios como dipirona, foram encontrados medicamentos vencidos. Fizemos as reclamações em novembro, mas a coisa só piorou, porque detectamos situações que não tínhamos vistos ano passado, a exemplo de deficiência no serviço de radiologia, escala com informação em desacordo com o número de profissionais, falta de leitos de retaguarda, entre outras coisas", relatou o médico.
Outro ponto destacado por José Menezes é a quantidade de médicos que trabalham em regime de Recibo de Pagamento Autônomo (RPA). "70% dos profissionais da UPA Nestor Piva não tem direito a férias, 13º salário, nenhum outro direito trabalhista. Se o médico sofrer um acidente ou morrer, é problema da família dele", reclamou, acrescentando uma pergunta dirigida à Prefeitura de Aracaju: "Onde está o concurso para médicos que foi prometido?".
Menezes criticou a gestão do prefeito João Alves Filho (DEM) na área de saúde. "Está claro que o prefeito está sucateando a saúde, para ter a desculpa de entregar a uma instituição que gerencie o sistema, ou seja, ele quer terceirizar. É tanto que ele levou vereadores aracajuanos para conhecer o funcionamento da saúde de Salvador", relembrou. Segundo o sindicalista, alguns serviços da UPA, como raio X, laboratório e nutrição, já foram terceirizados.
Para o representante do Sindimed, a situação na gestão municipal atual é pior que a anterior. "Nada melhorou fez foi piorar, porque até a pediatria da UPA foi fechada. Chamo a atenção da sociedade e dos órgãos que receberam o relatório para que possam tomar algum tipo d e providência", disse Menezes. No próximo dia 4 de fevereiro, o assunto será tratado na reunião-almoço que acontece mensalmente na sede do Sindimed com vários médicos.


