Bandidos explodem cashs do BB em Ribeirópolis

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Mais uma agência bancária foi destruída por assaltantes no interior de Sergipe. Desta vez o alvo dos bandidos foi uma unidade do Banco do Brasil situada à Praça Frei José, centro da cidade de Ribeirópolis, região agreste do estado. Diante da vasta quantidade de explosivo utilizada na ação, cinco das seis centrais de autoatendimento foram destruídas e o dinheiro roubado. Segundo previas investigações articuladas pela central de inteligência da Polícia Civil, cerca de dez homens fortemente armados chegaram até a praça divididos em quatro veículos e adentraram na agência por volta das 2h. Esta atuação não teria passado de quatro minutos. Segundo cálculos de um funcionário que preferiu não se identificar, o valor roubado pode chegar a cinco milhões de reais.

Em conversa com alguns moradores que estavam nas proximidades no momento em que os meliantes chegaram, policiais militares do 3° Batalhão descobriram que alguns assaltantes teriam atirado para o alto como forma de intimidar os moradores a não se aproximar da agência. Encapuzados, eles teriam utilizado bananas de dinamite, fuzis, pistolas de longo alcance e até garrafas contendo óleo e pregos que seriam arremessados na pista como forma de inviabilizar uma possível aproximação de viaturas policiais. Diante da progressiva economia de Ribeirópolis, os cashs eram de grande porte e poderiam ser abastecidos com valores que variavam entre 100 mil e um milhão de reais. É com base nessa capacidade de cédulas que o banco pretende calcular o prejuízo.

Essa foi a segunda explosão contra agência bancária no município em menos de oito meses. Em setembro do ano passado uma unidade do Bradesco já havia sido invadida e tiveram todos os caixas arrombados. Devido a representatividade do crime, as investigações ficarão a cargo do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope). Este ano, mais de oito agências se tornaram alvo de bandidos especializados. Em virtude da fragilidade na segurança pública, essas atuações ocorrem geralmente no período da noite e longe das metrópoles. Nos quatro meses de 2014 já foram registrados ações dessa natureza. No último dia 13 de março, por exemplo, uma agência do Banco do Estado de Sergipe foi assaltada durante horário comercial.

Mais segurança – Para José Souza, presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe, é preciso que os banqueiros e gestores públicos ligados às secretarias de segurança pública possam viabilizar melhorias no sistema a fim de inibir novas ações. Até o final da noite de ontem a Polícia Militar já havia registrado ocorrências nos municípios de Aracaju, Capela, Siriri, Ribeirópolis e Moita Bonita. "Antes de qualquer medida preventiva por parte dos clientes destes bancos é preciso que as agências sejam modernizadas e passem a implantar vidros blindados. Não adianta botar um cadeado e permitir que o assaltante atire nas portas de vidro e consigam facilmente chegar até os caixas eletrônicos", disse.

Outra medida apontada pelo sindicalista é adotar atitudes utilizadas nos anos 70 e 80 quando o dinheiro dos bancos ficava armazenado em cofres rigorosamente protegidos de quaisquer modelos de explosivo. Para ele, essa atitude contribuiria para a contratação de novos profissionais e maior agilidade nos atendimentos. "Cada cash desse custa 30 mil reais. São 30 mil perdidos, mais 30 mil para a aquisição de outro, mais o gasto na reforma da agência, e claro, o dinheiro que foi roubado. Seria um retrocesso para o povo brasileiro, mas a tendência era que os juros diminuíssem porque esse prejuízo vai ser repassado para alguém, e esse alguém certamente não é o lucro do banco, e sim, para o cliente", afirmou.

Tentativa – No mês de fevereiro do ano passado uma agência bancária instalada no município de Pacatuba foi invadida por assaltantes que tentaram roubar o dinheiro. Temendo essas ações, a unidade já havia adotado o modelo administrativo do século passado e conseguiu inviabilizar o prejuízo. Na ação os bandidos chegaram a utilizar maçaricos, mas a tentativa foi frustrada. "Isso mostra o quanto essa atitude pode nos render benefícios. A população ficaria mais tranquila, a polícia evitaria esse confronto, os bancos teriam um gasto menor e novos concursos públicos seriam abertos para a contratação de novos profissionais", pontuou José Souza.

Entre o mês de maio de 2013 e a noite de ontem, o Banco do Brasil já havia registrado esse tipo de crime nos municípios sergipanos de Itabaianinha, Salgado, Umbaúba, e agora Ribeirópolis. O prejuízo para a instituição bancária pode ultrapassar a casa dos 10 milhões de reais.

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