Beira Mar será reaberta

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Depois de um ano parcialmente bloqueado, o tráfego na Beira Mar, no trecho que vai da curva do Iate Clube até a avenida Anízio Azevedo, deverá ser liberado até 15 de maio.
Segundo informações da assessoria de comunicação da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), este é o prazo estabelecido pelo órgão para a conclusão das obras de contenção da balaustrada do bairro 13 de Julho, motivo que gerou a interdição da avenida.

A via foi parcialmente interditada no dia 04 de maio de 2013. A medida em proibir o tráfego em um dos lados da pista foi tomada pela Superintendência Municipal de Trânsito e Transporte de Aracaju (SMTT), obedecendo a determinação de uma liminar emitida pela juíza Simone de Oliveira Fraga, 3ª Vara Cível, alegando que o avanço das águas do Rio Sergipe sobre a mureta de proteção corre o risco de desabamento, representando assim um perigo à população.

Por causa da situação, o trânsito passou a ser desviado para outras vias. Em nota enviada à redação do Jornal do Dia, a assessoria de comunicação da Emurb informou que a obra está sendo executada com a finalidade de evitar o desabamento da balaustrada e o avanço da maré sobre a área residencial que margeia o rio Poxim e que o cronograma inicial para a conclusão dos trabalhos será mantido.  
"Na fase final, a obra segue o cronograma inicialmente previsto e já na primeira quinzena de maio será liberado o trânsito na avenida Beira Mar. Mesmo com as chuvas que têm caído na capital, não houve intercorrência que pudesse atrapalhar o andamento", confirma a nota.

Ainda de acordo com informações da Emurb, atualmente a empresa contratada para executar a obra se concentra na ampliação da rede de drenagem pluvial subterrânea que irá desaguar no Rio Poxim. "Essa medida vai beneficiar toda a região. Também está prevista a construção de um conjunto urbanístico que vai deixar a área entre a avenida e o leito do rio mais agradável e segura", ressaltou a assessoria.
A obra de contenção da balaustrada do bairro 13 de Julho chega ao fim com muitas polêmicas e várias ações judiciais. Orçado em cerca de R$ 5,8 milhões, o projeto de defesa litorânea inclui a construção de um muro de contenção com cerca de 650 metros e seis espigões próximos ao estuário do rio Poxim, com medidas variando entre 30 e 40 metros cada, com o acoplamento das pedras do molhe e a construção dos espigões.

Durante todo o período de construção da obra, que foi iniciada em novembro do ano passado, ambientalistas realizaram manifestações denunciando que o projeto da prefeitura tem como proposta o aterramento do Rio Sergipe e por esta razão representa mais prejuízos do que benefícios à população, mas de acordo com a Emurb, a contenção já demonstra ser um grande investimento da atual administração municipal e se estabelece como uma das maiores e mais eficientes obras de defesa litorânea da capital.
De acordo com ambientalistas, o avanço do mar na região da avenida Beira Mar não é um problema recente, sendo provocado pela transferência do rio Sergipe causada justamente pela obra de contenção que foi feita há alguns anos no bairro Coroa do Meio.

Outra questão em debate é a ausência de licenciamento ambiental para realização da obra, considerando que os trabalhos de engenharia executados na avenida são mais complexos do que o determinado pela justiça, que orientou uma ação emergencial.    
Para os ambientalistas, uma obra de engenharia é apenas um paliativo, pois sem um prévio estudo ambiental que oriente a verdadeira causa do problema, a situação continua sem solução. Eles temem a morte do manguezal do bairro 13 de Julho e impactos também na Barra dos Coqueiros, com prejuízos à atividade pesqueira.

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