O cabo da Polícia Militar Raimundo Nonato Gonçalves foi condenado a 18 anos de prisão por homicídio qualificado. Em julgamento concluído às 15h30 de ontem no Tribunal do Júri da Comarca de São Cristóvão (Grande Aracaju), o réu foi considerado culpado pelo assassinato do motoboy Marcos Júnior Nogueira Santana, morto com um tiro nas costas em 25 de dezembro de 2009 no Conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão. Parte da pena, equivalente a sete anos e dois meses, deve ser cumprida no regime fechado, e o restante será no semi-aberto. A sentença também prevê a perda do cargo público e a consequente expulsão de Nonato da PM.
O julgamento aconteceu no Fórum Desembargador Gilson Góis Soares com a presença de familiares e amigos da vítima, os quais vestiam camisas brancas com uma foto dele. O ponto alto da sessão foi o depoimento de Maria Luiza Siqueira Cavalcante, que era namorada de Marcos e estava com ele na porta de sua casa quando o crime aconteceu. Emocionada e chorando em alguns momentos, ela descreveu tudo o que acontecera naquela noite e confirmou que o policial atirou contra o motoboy, após colocar sua moto em posição de fuga.
Ainda de acordo com Maria Luiza, o réu saiu armado de casa, pois tinha discutido com sua ex-mulher, e também gritou com o casal, chegando a mandar Júnior ir embora dali. Na época, a jovem tinha 16 anos, estava grávida de três meses e preparava-se para casar com Marcos. Após a morte do namorado, ela perdeu o bebê e teve um início de depressão, superado após sua mudança para São Paulo, onde mora atualmente com seu atual marido. Luiza voltou para Sergipe apenas para acompanhar o julgamento.
O depoimento da namorada pesou a favor da tese do promotor Alexandro Sampaio, que defendeu a tese de homicídio por motivo fútil e sem chance de defesa à vítima. O advogado de defesa Evaldo Campos sustentou a tese de disparo acidental, alegando que a arma do crime, uma pistola ponto 40, estava na coxa de Nonato e caiu dela quando o réu preparava-se para ir embora. Apesar da estratégia de "defesa técnica", baseada em laudos periciais, Evaldo já admitia antes do julgamento que o réu poderia ser condenado, a depender do depoimento de Maria Luiza. Agora, a defesa irá recorrer da sentença para tentar reduzir a pena do policial. (Gabriel Damásio)


