Criança pode ter morrido por maus tratos

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Uma criança de seis meses de idade pode ter morrido em consequência de maus tratos físicos domésticos. A menina veio a óbito no último dia 17, no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Seria o segundo atendimento, mas ela não resistiu aos ferimentos.   

Segundo funcionários do hospital, a criança deu entrada no Huse no dia 2 de janeiro, apresentando um hematoma na cabeça e uma fratura na perna esquerda. Após permanecer internada por 15 dias, ela recebeu alta e foi para casa, de onde voltou, horas depois, dando entrada no hospital já sem vida, por volta das 22h. As causas da morte ainda estão sendo investigadas.

De acordo com informações de pessoas que acompanharam o caso, os pais chegaram ao hospital alegando que a criança havia caído, mas nem o pai nem a mãe viram a queda ou sabiam informar detalhes de como ocorreu. Após os 15 dias de internamento, a bebê recebeu alta médica com a contusão cerebral estabilizada. Não foi necessário operar, e a última tomografia mostrava que ela estava em franca recuperação.

Profissionais do Huse contam que a criança saiu do hospital sorridente, alegre, ativa e alimentando-se bem, mas quando retornou ao Huse, no mesmo dia, já se encontrava sem vida. "Não havia o que pudesse ser feito, o que causou a indignação de todos os que acompanharam o caso, no hospital", relatou um funcionário do Huse, que preferiu não se identificar. O Conselho Tutelar foi acionado, mas a criança estava acompanhada de muitas pessoas da família e veio a óbito antes que houvesse tempo hábil para que o Conselho pudesse pedir o exame de corpo delito, para averiguar as fraturas identificadas na criança.

Após o recebimento do Sistema de Aviso Legal por Violência, Exploração ou Maus Tratos Contra a Criança e o Adolescente (Salve) com as informações prestadas pelo Conselho Tutelar do 5 º Distrito – que era quem estava de plantão no dia da ocorrência – na tarde de segunda-feira, 21. Ontem, o Conselho Tutelar do 1º Distrito ouviu a mãe da bebê e encaminhou o caso para investigação da Delegacia de Grupos Vulneráveis. O IML ainda não divulgou laudo conclusivo sobre o falecimento da criança.

A suspeita de maus tratos físicos corresponde uma grande parte de atendimentos médicos de crianças levadas a hospitais, entretanto, muitas vezes a situação passa despercebida. Para dar visibilidade ao problema e viabilizar providências, Sergipe possui o Salve. O objetivo é manter uma ação articulada entre os profissionais e órgãos que atuam junto às crianças e adolescentes para que haja maior atenção sobre a importância da notificação dos casos de violação de seus direitos.

Em Sergipe, uma Rede de Enfrentamento à Violência Sexual está sendo aperfeiçoada para atender de forma integral às vítimas e um novo passo para isso deverá ser dado com a criação da versão online do Salve.
A mudança visa ajudar a resolver um problema antigo: a falta de acompanhamento integral destas vítimas, o que gera a interrupção no seu ciclo de atendimento e recuperação.

Compartilhe esta notícia