As cidades de Capela e Japaratuba seguem na briga pela exploração de carnalita, mas segundo Ezequiel Leite, a prefeitura de Japaratuba não tem demonstrado interesse pelo projeto. "Nenhum representante do município compareceu as reuniões, era só minha equipe e o governo. E para mim, quando existe uma disputa, seja por qual for o motivo, é comum a presença dos dois lados", ressalta. E afirma ainda que o grande defensor de Japaratuba tem sido o Governo do Estado. "Como nunca vi o prefeito, assessor ou qualquer outro represente do município durante os debates sobre a carnalita, fiquei com a sensação de que o governo tem apoiado Japaratuba nessa disputa", diz Ezequiel.
Para o administrador, a escolha da cidade que abrigará a usina foi uma decisão política. "A vale diz que a questão é estritamente econômica e técnica. Mas não entendemos isso, porque sabemos que quanto mais perto da matéria prima você está, maior será a economia. Além disso, 80% do minério carnalita está no subsolo capelense e os estudos feitos pela Vale determinam que temos condições mais adequadas para exploração da carnalita, levando em consideração questões ambientais e técnicas. Então, porque eles querem retirar esse produto de Capela e levá-lo para Japaratuba?", questiona.
O prefeito explicou ainda porque não assinou o termo para implantação do projeto. "O governo tem nos pressionado porque quer que essa usina fique em Sergipe, mas eu não sou governador do Estado, eu sou prefeito de Capela e como tal não posso deixar o município se transformar numa cidade dormitório. Não podemos gerar dinheiro para outros lugares enquanto nossa cidade empobrece. Capela não pode virar um bolsão de pobreza", afirma.
Luta pela proporcionalidade – O Professor Jota, membro do movimento "A carnalita é nossa", que luta pelo direito de exploração do minério em Capela, também esteve presente no programa e opinou sobre o tema. "Não há concordância entre a escolha feita pelo governo e o relatório elaborado pela Vale. O relatório mostra as principais desvantagens do município de Japaratuba, como maior distância da unidade potássio e da planta piloto, além de uma maior dificuldade de manutenção e operação divido a grande distância entre a usina e os poços. Baseado nessa análise fica claro que Capela é técnica e economicamente mais viável que Japaratuba. Então, essa questão não econômica e muito menos técnica, é política mesmo", destaca.
De acordo com Jota, a administração e a população de Capela cobram apenas transparência por parte do governo. "Entre 18 a 25 anos será explorado totalmente o município de Capela e eu pergunto: Como administração vai sustentar isso? Queremos que o Estado apresente uma proposta consistente, com transparência jurídica", pondera o professor.
O prefeito acrescentou que a receita da cidade é baixa e 64% da população vive na pobreza, diferente de Japaratuba que já recebe royalties. "Somos um município pobre e se temos um percentual significativo de potássio em nossas terras, os lucros obtidos com a carnalita devem ficar na cidade. Capela já perdeu a exploração do minério silvinita para Rosário do Catete e agora estão querendo fazer a mesma coisa com carnalita".
Ezequiel afirmou desejar apenas proporcionalidade. "Não vamos entregar a nossa riqueza a troco de banana. Ninguém quer nada de Japaratuba, só não queremos dar a Japaratuba o que é de capela. Se Capela tem 80% da matéria prima, queremos ficar com esses 80% e não entregar toda nossa riqueza a outro
município".
O administrador de Capela acrescentou que a receita da cidade é baixa e 64% da população vive na pobreza, diferente de Japaratuba que já recebe royalties. "Somos um município pobre e se temos um percentual significativo de potássio em nossas terras, nada mais justo que os lucros obtidos com a carnalita fiquem na cidade. Capela já perdeu a exploração do minério silvinita para Rosário do Catete e agora estão querendo fazer a mesma coisa", considera.
Japaratuba -O assessor de comunicação de Japaratuba, Joaquim Silva, esclareceu que existe interesse por parte do município e se representantes da cidade não compareceram as reuniões é porque desde 2010 o projeto prevê a implantação da usina no território de Japaratuba. "Em 2010 a Vale escolheu, após um estudo técnico, Japaratuba como sede da indústria da carnalita. Participamos de reuniões com a Vale, o Governador e o prefeito Hélio Sobral, e se não estivemos presentes nos encontros sobre o projeto é justamente porque o município de Japaratuba já tinha sido escolhido pela empresa responsável. Logo, não faria sentido o prefeito estar indo para as demais reuniões. Quem tem que estar lá é o prefeito Ezequiel Leite, pois é ele que deseja rever essa situação", justifica o assessor.
Ainda segundo Joaquim Silva, a localização da usina não é uma decisão política. "Não se trata de uma decisão política e sim técnica, e em nada tem a ver com o fato do governador pertencer ao mesmo grupo político que o prefeito. É apenas uma decisão técnica". O assessor aproveitou para ressaltar que quando se trata de localização, o fator proximidade da matéria-prima não é um quesito fundamental. "Vou dar um exemplo: o maior produtor sergipano de petróleo, depois de Aracaju, é Japaratuba, mas as pessoas pensam que é Carmópolis porque a indústria fica lá. E sabe porque foi Carmópolis foi escolhida? Apenas por sua localização geográfica", explica.
Joaquim encerrou sua participação no programa lembrando que a decisão está nas mãos do prefeito Ezequiel. "Cabe ao prefeito assinar ou não a licença ambiental para construção da usina, mas sabemos que se ele não assinar, a Vale poderá levar esse projeto para outro Estado", disse.
O ex-vereador por Capela, Jorgival Santos, marcou presença no programa e deixou claro sua opinião. "Estamos questionando aqui a presença do prefeito Hélio nas reuniões sobre o projeto carnalita, mas me parece até desnecessário, porque ele já tem um representante que é o governador. Outro ponto citado pelo assessor é fato de Japaratuba já ter sido selecionada. Eu me pergunto: onde está inscrito no relatório da Vale que Japaratuba já foi escolhida? Existe sim um estudo onde mostra as condições de um município e do outro, mas não há nele nenhum escolhido. Temos 80% do produto e a usina vai pra outro lugar? Não parece justo. Estamos buscando apenas o que é nosso por direito, defendendo nossos interesses", ressalta.


