Milton Alves Júnior
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Funcionários do Centro de Atendimento ao Cidadão (Ceac), unidade instalada no Terminal Rodoviário Governador Rollemberg Leite, deflagraram greve por tempo indeterminado na manhã de ontem em decorrência da falta de segurança e precárias condições de trabalho. Por não haver um comunicado prévio, os sergipanos que estiveram no local a fim de serem atendidos foram barrados na entrada principal do estabelecimento e começaram a protestar contra a atitude do órgão ligado ao Governo do Estado, através da Secretaria de Estado do Planejamento e Governo (Seplag). Ao todo, 115 funcionários cruzaram os braços.
Diante do impasse, sobraram críticas por parte dos populares. De acordo com o comerciante Clodoaldo dos Santos, por mais de duas horas cerca de 20 pessoas aguardavam o início dos atendimentos quando um funcionário informou a paralisação dos funcionários. Inconformados com a notícia houve um princípio de tumulto e a Guarda Municipal que passava pelo local foi acionada para acalmar os ânimos e evitar consequências mais graves. "Desde cedo que a gente está aqui e ninguém fala nada. Agora, quase dez da manhã, eles dizem que estão em greve, aí já é brincar com a cara do povo", disse.
Alegando ter chegado ao Ceac por volta das 7h30, a dona de casa Berenice dos Santos lamentou a situação e disse ter gastado dinheiro à toa. Para ela, independente dos problemas enfrentados pelos funcionários em decorrência da falta de investimentos por parte do governo, os servidores deveriam se conscientizar quanto aos problemas que poderiam causar junto aos sergipanos. "Eles não pensaram nisso. Minhas contas já estão apertadas e ainda hoje gastei dinheiro no coletivo sem necessidade porque eles decidiram parar o atendimento. Assim fica difícil até da gente entender a situação e criticar o governo", afirmou.
Por outro lado, os funcionários, em especial do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), avaliaram essa paralisação como a forma mais eficaz para mostrar aos administradores públicos que a categoria permanece unida na tentativa de exigir melhores condições de trabalho para todos. Em entrevista concedida, o funcionário da autarquia Júlio Bomfim informou que a onda de calor é o principal problema enfrentado pelos trabalhadores e populares que se dirigem até o local em busca de atendimento. Segundo ele, após os funcionários do Detran terem anunciado que estavam cessando os atendimentos, os demais profissionais decidiram apoiar a mobilização.
"Aracaju já está pegando fogo em locais abertos, imagine aqui que é tudo fechado. Com o sistema de ar condicionado quebrado, dá 9h e a gente já está pingando de suor. Nem os ventiladores dão conta da situação e esse foi o jeito para ver se resolvem esse problema", declarou Bomfim, que questionado sobre a duração da greve concluiu dizendo: "Até que consertem os aparelhos não tem como trabalhar e atender bem as pessoas". Após ser informado do tumulto, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Sergipe (Sintrase), Waldir Rodrigues, esteve no local e garantiu total apoio aos profissionais.
"Estamos aqui para dar apoio aos trabalhadores que não têm condições nenhuma de trabalho. Segurança também é um problema antigo e ninguém faz nada pra reparar esse caos, por isso estamos apoiando a manifestação", informou.


