Cenam e Usip têm 30 fugitivos em 24 horas

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Em apenas 24 horas, 30 internos conseguiram fugir da Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip) e o Centro de Atendimento ao Menor (Cenam), em meio às sucessivas rebeliões detonadas em protesto contra as más condições de vida e as denúncias de tortura envolvendo agentes socioeducativas. Ontem, mais dois motins seguidos foram deflagrados pelos internos da Usip, por volta das 15h. Eles começaram a fazer um grande quebra-quebra e saíram das alas para tentar fugir, sendo que um deles conseguiu.

O primeiro tumulto foi logo controlado, mas o segundo, iniciado meia hora depois, só foi controlado com a chegada de equipes do Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChq), por volta das 16h. A situação ficou bastante tensa, a ponto de os funcionários serem retirados às pressas da unidade. Dentro, os menores estavam bastante nervosos e gritavam palavrões e ameaças contra os agentes, afirmando que toda aquela confusão "era só o começo". "Eles gritam bastante, atentam contra a estrutura do prédio o tempo todo, tentando cavar mais buracos. Houve ainda alguns incêndios provocados, e inclusive alguns colchões foram queimados, mas esses focos já foram debelados", relatou a tenente Beliza França, do BPChq.  

Os policiais permaneceram na unidade até o final da tarde e, durante a contagem dos adolescentes, constatou-se que um deles fugiu, saltando do telhado. As tropas deixaram a Usip, mas uma equipe da PM permaneceu de plantão para dar apoio aos agentes. Vários objetos usados como armas, como chuços e facas improvisadas, foram recolhidas durante a revista. Os menores foram ainda redistribuídos entre as alas, por conta das outras rebeliões ocorridas.

A fuga ocorrida ontem soma-se aos 29 internos que escaparam durante as quatro revoltas ocorridas durante todo o dia de anteontem. Mesmo com o reforço na segurança, os agentes afirmam que os adolescentes permanecem exaltados e prometem novas tentativas de fuga. "Eles estão a ponto de destruir [todo] o patrimônio público, por causa de uma ideia de confiança que eles têm. A cada fim de rebelião, começam a buscar resultados entre eles e, com esses resultados, eles acham que estão sendo protegidos e que podem quebrar tudo de novo", lamenta o agente Fábio Wesley, vice-presidente do Sindicato dos Agentes Socioeducativos de Sergipe (Sindasse).

As confusões e fugas são um desdobramento do embate existente entre os agentes socioeducativos, em greve há quase três meses, e a direção da Fundação Renascer. Por causa das rebeliões e fugas, o Ministério público e a Defensoria Pública já ingressaram com ações no Juizado da Infância e Adolescência, pedindo a interdição do Cenam e a remoção dos adolescentes para outros locais mais adequados. A Renascer já apresentou defesa nos processos, os quais devem ser julgados até a semana que vem.

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