Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br
Os ciclistas de Aracaju estão mais amedrontados por uma onda de roubos de bicicletas, cujas ocorrências aumentaram nos últimos três meses. Um primeiro surto de crimes do tipo aconteceu há dois anos, mas eles voltaram acompanhados da violência e agressividade dos marginais. Segundo relatos feitos à polícia, eles passaram a derrubar os ciclistas com empurrões, chutes e até socos, fugindo em seguida com as bicicletas.
De acordo com a ONG Ciclo Urbano, que defende os direitos dos ciclistas, os assaltos vêm acontecendo principalmente na zona sul da capital, por toda a extensão de ciclovias entre os bairros 13 de Julho e Atalaia. Na semana passada, três roubos de bicicletas em dias seguidos aconteceram em frente ao Campus da Universidade Tiradentes (Unit), na Farolândia, e outros no Parque dos Cajueiros, próximo à Atalaia. O caso mais recente aconteceu na noite do último sábado, quando um grupo de ciclistas que fazia um passeio no Parque dos Cajueiros foi rendido por vários ladrões armados.
Ainda não há uma contagem oficial sobre quantos roubos aconteceram neste ano, mas estima-se que eles estejam bem acima da média registrada em 2013, quando eram registrados 15 assaltos por mês. "A gente acredita que o número seja muito maior, porque, muitas vezes, não são prestados boletins de ocorrência sobre esses roubos. Às vezes, alguns ciclistas, principalmente donos de bicicletas mais baratas, não se predispõem a ir para uma delegacia prestar queixa. Os furtos e roubos que nós sabemos são muito mais referentes com as bicicletas de porte ou valor mais alto, onde há uma predisposição maior dos donos e da polícia em correr atrás", disse o vice-presidente da ONG, Valdson Costa.
O representante dos ciclistas descreve que a mudança do tipo de abordagem trouxe muito mais insegurança à categoria, independentemente das pessoas pedalarem em grupo ou, na maioria dos casos, sozinhas. "O tipo mais comum de roubo é aquele onde o ciclista deixa a bicicleta em um lugar e volta e meia, não estão mais lá. O que está acontecendo mais nessa região, naquela ciclovia da Avenida Beira-Mar, é uma abordagem mais ousada, mais violenta. O ciclista passa pedalando normalmente, as pessoas ficam escondidas naquela região do mangue e tomam o ciclista de surpresa, derrubando ele da bicicleta e fugindo com ela. Estamos percebendo que a ousadia dos assaltantes é cada vez maior, e nos preocupa pelo fato de o ciclista ser um alvo fácil", alerta Valdson.
A Secretaria da Segurança Pública já tem conhecimento da onda de roubos a ciclistas e, conforme a Ciclo Urbano, um grande número de bicicletas têm sido recuperadas pelas polícias Civil e Militar, durante as abordagens cotidianas a suspeitos de crimes na capital e no interior, onde os roubos do tipo também cresceram, principalmente em trilhas. Em geral, as bicicletas roubadas vêm sendo usadas nos assaltos a pedestres e a casas comerciais.
Costa reivindica que a Polícia Militar e a Guarda Municipal ampliem as atuações de ciclopatrulhamento, isto é, rondas feitas com policiais usando bicicletas, principalmente nas regiões com maior incidência de assaltos. Atualmente, estas equipes são mais vistas em pontos turísticos como o Calçadão da 13 de Julho e a Orla da Atalaia. Valdson também orienta que os ciclistas "façam a sua parte", registrando os boletins de ocorrência nas delegacias de polícia, caso sejam vítimas de roubo. "É importante que eles busquem a delegacia para relatar a situação, para que a gente possa ter dados que referenciem ainda mais a necessidade de segurança em alguns pontos da cidade", disse o vice-presidente.


