Milton Alves Júnior
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Confusão, correria e trânsito caótico marcaram a manhã de ontem nas imediações da Rua Santa Rosa, no Centro de Aracaju. O clima de guerra tomou conta da área comercial após agentes da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), acompanhados por Guardas Municipais, terem se deslocado até a região para apreender mercadorias que, segundo a Prefeitura de Aracaju, se tratam de produtos irregulares. Minutos posteriores ao recolhimento, alguns comerciantes tentaram recuperar o material e acabaram atingidos por jatos de spray de pimenta lançados pela GMA.
Diante da agressão sofrida, os comerciantes decidiram bloquear as ruas com a utilização de pneus e pedaços de madeiras que foram queimados por mais de uma hora. Com receio de depredações e ampliação do confronto entre agentes da Guarda Municipal e os ambulantes, dezenas de lojas decidiram fechar as portas até que a situação fosse controlada. Por meio de nota a Diretoria de Espaço Público e Abastecimento (Direpa) informou que foram apreendidos quatro carrinhos; os alimentícios acabaram sendo doados para instituições de caridade e os utensílios apreendidos devolvidos aos seus respectivos proprietários.
Ainda conforme destacado pelo órgão municipal, desde o ano passado a gestão tem fornecido espaços legalizados para que os ambulantes possam realizar o comércio sem a interferência dos agentes fiscalizadores. Na ação de ontem – segundo cálculos da Emsurb, 30 vendedores estavam posicionados em local irregular perante a Lei Municipal de nº 1.500, que regulariza o comércio dos grupos de ambulantes da capital sergipana. A promessa da Prefeitura de Aracaju é de continuidade nas atuações durante toda esta semana, inclusive com uso da força GMA caso os vendedores insistam em descumprir as ordens.
Em contraponto, o comerciante de utensílios para celulares e demais aparelhos eletrônicos, Breno dos Santos, contestou a atuação da PMA e garantiu que o espaço foi cedido pelo prefeito João Alves Filho durante campanha eleitoral de 2012. Na avaliação do vendedor, é necessário que as leis relacionadas ao mercado aracajuano sejam revisadas pelo legislativo municipal. Sobre a promessa de novas ações na região, Breno garantiu que os grupos estão dispostos a resistir até que atuação dos ambulantes seja legalizada.
"O problema é que foi prometido uma coisa e agora é outra. Eu trabalho aqui desde 2008 e em 2012 João esteve aqui reunido com a gente e afirmou que não iria tirar ninguém. Lembro até que foi uma confusão. Muitos que receberam benefícios dados pelo ex-prefeito Edvaldo começaram até a partir pro lado de João. Agora ele faz isso com a gente", lamentou. Questionado se ele contabilizou prejuízo na manhã de ontem, ele concluiu dizendo: "eu não, porque percebi a chegada da Guarda Municipal e já sei como eles atuam aqui. Ficou no meio do caminho deles ou perde a mercadoria, ou tomam ‘fantada’ e sai no prejuízo. Por isso eu juntei minhas tralhas, guardei e vim defender meu espaço".
A Guarda Municipal informou apenas que estava acompanhando a equipe da Emsurb durante a fiscalização, e que o material foi retirado das ruas porque não poderia ser comercializado no local.


