Milton Alves Júnior
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Taxistas que atuam no transporte clandestino voltaram a se reunir em Aracaju para protestar contra um possível retardamento na votação do projeto de lei municipal que visa regulamentar o serviço público hoje realizado em 80% nos bairros que compõem a Zona de Expansão da capital sergipana. Representada por cinco cooperativas de transporte irregular, a categoria criticou o prefeito João Alves Filho, os 18 vereadores que fazem parte do grupo de apoio do governo municipal e ainda acabaram discutindo com taxistas bandeirinhas e motoristas que criticavam o ato público. Atualmente, a capital conta 2.080 táxis entre lotação, bandeira e empresas, número considerado suficiente para a quantidade de habitantes do município.
Conforme dados da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), as normas da Câmara de Vereadores exigem que seja disponibilizado um táxi para cada 800 pessoas, ou seja, para permitir que os clandestinos sejam liberados para proceder com o trabalho, é preciso que os vereadores alterem a lei. Essa determinação corresponde à Lei Municipal Nº 2.864, de 10 de Novembro de 2000, que "dispõe sobre a proibição do transporte alternativo e/ou clandestino de passageiros coletivo ou individual no município de Aracaju". Para os manifestantes, cientes da legislação, a falta de assistência aos clientes tem contribuído para que o trabalho alternativo se amplie a cada novo semestre.
Para representantes da Cooperativa de Transporte Alternativo do bairro Santa Maria (Coopetasmar), a população clama por um transporte público de qualidade que deveria ser fornecido pela Prefeitura de Aracaju. Na bronca com o chefe do executivo municipal, Anderson Santana garante que as linhas de ônibus não concluem a rota como deveriam e diariamente acabam deixando os passageiros distantes do fim de linha. "O preço da tarifa sobe mais que nos anos anteriores e quem precisa do transporte público só vê decadência. Quero ver quem é o morador do Santa Maria e do 17 de Março que está satisfeito com esse serviço. O táxi alternativo é a melhor opção para quem não quer se submeter a humilhações impostas pelas empresas de ônibus contratadas por João. Enquanto continuar assim, nós vamos permanecer nas ruas protestando", afirmou.
A onda de mobilizações foi gerada após o governo municipal, através da SMTT, ter criado um esquema operacional a fim de coibir o trabalho clandestino. Dados apresentados pelos manifestantes mostram que desde a última quinta-feira, 30, a SMTT já apreendeu 11 táxis-lotação de cooperados que transitavam nas intermediações dos bairros Santa Maria, Sol Nascente, Augusto Franco e 17 de Março. Ao Jornal do Dia o representante da Cooperativa da Coroa do Meio, Carisvaldo Santos, declarou que desde o início da operação municipal os trabalhadores estão encontrando dificuldades para proceder com o serviço e gerar aquecimento da renda familiar.
"A gente não está aqui porque simplesmente queremos bater de frente com a polícia municipal de João! Estamos aqui porque estamos apenas querendo trabalhar com dignidade. Estamos na luta por um direito que é trabalhar para alimentar nossa família que precisa do nosso suor para se manter. Infelizmente a SMTT tem trabalhado firme contra a gente e os prejuízos já são sentidos no prato de comida. O que incomoda é saber que João está sabendo dessa situação e não se pronuncia", lamentou.
A Assessoria de Comunicação da CMA informou que o projeto de lei foi retirado de pauta após a presidência da Casa ter recebido um pedido de vistas pelo vereador Agnaldo Feitosa, líder do prefeito na câmara, e que o PL deve voltar a ser debatido ainda neste segundo semestre de 2015.


