Milton Alves Júnior
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Pela terceira vez em menos de oito meses a capital sergipana assiste a mais uma suspensão no sistema de coleta de lixo realizada pela empresa Torre, contratada pela Prefeitura de Aracaju, através da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb). Contabilizando uma dívida de 20 milhões de reais, a direção empresarial decidiu barrar a saída de 40 caminhões coletores até que as dívidas do governo João Alves Filho fossem devidamente quitadas. Ao contrário do que foi registrado em ocasiões anteriores, desta vez a categoria trabalhista não possui nenhum envolvimento na paralisação. Pegos de surpresa com a medida adotada pela Torre, os garis chegaram a se direcionar para os postos de saída, mas foram impossibilitados.
Durante reunião realizada ainda na manhã de ontem, a prefeitura repassou uma quantia de cinco milhões de reais para a empresa e prometeu quitar outra parte da dívida até a noite de hoje. Com parte do pagamento concluída, os serviços foram reiniciados por volta das 12h30 em bairros que apresentavam grande acúmulo de lixo, a exemplo dos polos comerciais: Siqueira Campos, Centro, conjunto Augusto Franco e bairro Orlando Dantas. A Torre é responsável por recolher lixo doméstico de aproximadamente 300 mil lares. "Reuniões foram realizadas entre a prefeitura e a Torre e um entendimento resultou no reinício das atividades", afirmou a assessoria de comunicação da Emsurb.
Surpreso com a situação inusitada, o gari Rinaldo Souza pediu que a justiça sergipana acompanhe o caso a fim de não resultar problemas para os próprios trabalhadores. Segundo Rinaldo, poucos avanços prometidos em atos públicos anteriores foram devidamente respeitados. "Hoje os valores éticos foram invertidos. Nós chegamos para trabalhar e a empresa não liberou os caminhões porque a prefeitura tem essa dívida toda aí e não paga. Pra não ficar no prejuízo, evitar calotes e claro, para pressionar o prefeito, nenhum carro deixou a garagem pela manhã e início de tarde", destacou. Conforme ressaltado pela categoria, com a interrupção dos serviços urbanos, mais de dois mil trabalhadores voltaram pra casa mais cedo.
"É válido informar que a direção da Emsurb, juntamente com a Secretaria de Comunicação e Finanças, assim que tiveram conhecimento da situação buscaram dialogar com trabalhadores e representantes da Torre com a perspectiva de não gerar problemas para a população. Os acordos foram realizados com sucesso e nesta terça o serviço estará em normal seguimento operacional", pontuou a assessora Shislane Vitória.
Ameaça – Pegando um gancho na batalha administrativa e financeira entre a Prefeitura de Aracaju e a Torre, a direção do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial de Sergipe (Sindlimp) informou que na última sexta-feira, 12, a categoria foi informada ainda, em caráter não oficial, que a administração municipal possui o interesse em reduzir o quadro de garis e margaridas. Essa medida teria como propósito reduzir os gastos com limpeza pública e ajudar ao governo João Alves a pagar a dívida de 20 milhões. Diante da atual conjuntura regressiva avaliada pelos trabalhadores, a direção sindical não descarta a possibilidade de decretar greve por tempo indeterminado já a partir da próxima sexta-feira, 19, justamente quando começa mais uma edição do Forró Caju.
"Percebemos que uma série de ações incoerentes estão sendo feitas pela prefeitura nos últimos três anos. Não podemos ainda garantir que iremos cruzar os braços no Forró Caju, mas se por acaso a informação que chegou até a gente relatando corte de colegas trabalhadores for verdadeira, podemos sim parar todo o tipo de serviço. O sindicato apoia a atitude da Torre porque entendemos que se existe pendência financeira por parte da prefeitura, uma hora essa conta pode cair nas nossas costas", afirmou Rayvanderson Fernandes, presidente do Sindlimp.


