Milton Alves Júnior
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Médicos, enfermeiros, técnicos e demais servidores municipais que atuam na área da saúde promoveram na manhã de ontem um ato público na capital sergipana contra o reajuste salarial de 5% anunciado na última sexta-feira, 12, pelo prefeito João Alves Filho. Reunidos nas intermediações da Unidade Básica de Saúde Sinhazinha, bairro Grageru, os grupos criticaram ainda a falta de interesse por parte dos gestores municipais em debater avanços junto aos trabalhadores. Segundo a direção do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (Seese), uma comissão formada por servidores sindicalizados esteve no Centro Administrativo Aloísio Campos na tentativa de conversar com o prefeito. Por ele estar viajando, o encontro mais uma vez não foi possível.
Na avaliação da presidente Shirley Marchal Dias Morales, a adesão do Seese ao movimento grevista já iniciado pelos médicos tem por objetivo reforçar a pressão junto ao secretário Luciano Paz que responde pelas secretarias municipais de Saúde e Finanças. "Não podemos aceitar essa injustiça que estão fazendo com os trabalhadores. A partir do momento que o prefeito aprova um reajuste menor que as perdas inflacionárias ele está desrespeitando o servidor público que mais uma vez sente-se prejudicado. Estamos em paralisação de 24 horas e apenas os serviços de Urgência e Emergência permanecem com atendimento normalizado. Infelizmente mais uma vez buscamos conversar com João e a resposta que recebemos é que ele está viajando", destacou.
Compartilhando com as declarações da presidente, a também enfermeira Rose Simões declarou ao Jornal do Dia o desejo em chegar ao final do mês e poder receber o respectivo salário dentro da naturalidade de prazos. Insatisfeita com os consequentes atrasos salariais, a grevista garantiu desejo de continuar com a mobilização até que ações positivas para as categorias sejam repassadas pela prefeitura. "Esse foi o terceiro mês só esse ano que recebemos nossos salários atrasados. O que chama a nossa atenção é que nos últimos 15 anos, desde Augusto Gama isso não acontecia na prefeitura. João não atende a gente, concede um reajuste ridículo, e ainda atrasa. Por esses outros motivos que estamos na rua protestando", disse.
Agravos – Paralelo às pendências financeiras e não adesão da Prefeitura de Aracaju a campanha salarial que era de 8,7% para todos os servidores, o Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindmed) lamenta as atuais condições de trabalho e segurança nas intermediações das 45 unidades de atendimento. Coordenando os atos promovidos pela classe médica que segue por tempo indeterminado, João Augusto Oliveira, presidente do Sindmed enaltece a necessidade do prefeito João Alves Filho buscar entendimento com a classe trabalhadora e evitar que maiores problemas coletivos sejam causados aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
"Como se pode perceber, estamos enfrentando um momento difícil nas negociações com os secretários e o prefeito. A greve que começou apenas pelos médicos agora também está sendo realizada por outros colegas servidores que também se mostram insatisfeitos com os atrasos salariais e esse reajuste incoerente que foi anunciado pelo próprio prefeito na semana passada. Ninguém dialoga com as categorias e isso tem causado toda essa insatisfação", garantiu o presidente.
Conforme declarado pela Secretaria Municipal de Finanças, o secretário Luciano Paz permanece disposto a dialogar com os servidores e buscar soluções para os pleitos apresentados. Quanto à audiência extraordinária com o prefeito, esse encontro apenas deve ser possível após o chefe do executivo municipal retornar à capital sergipana.


