Copa do Mundo é patuscada!

Antonio Passos

* Antonio Passos

De quatro em quatro anos, quando a FIFA realiza a Copa do Mundo de Seleções, uma imensa patuscada toma conta do Brasil. A deste ano já começou a dar as caras.

Famílias e amigos se reúnem para assistir aos jogos da equipe brasileira; botecos, bares de responsa e restaurantes lotam; multidões cercam telões no meio da rua.

Desse povo todo, muita gente demora a entender para qual lado o Brasil faz gol. Há quem grite “mão” quando um jogador vai cobrar lateral. Mas nada disso desanima a fuzarca – muito pelo contrário.

Meu primeiro contato consciente com essa euforia nacional aconteceu no tri de 70, aos quatro anos de idade. Da Praça da Matriz de Nossa Senhora das Dores, minha memória guardou um recorte. Foguetes papocaram de noite e muita gente saiu de casa em clima de festa.

– Dinda, é São João? – perguntei a minha irmã.

– Não. O Brasil foi campeão! – Ela respondeu sorrindo, com a particular luz úmida dos olhos, e voltou a mirar os estouros prateados no céu.

Depois veio 74 com o show de bola do carrossel holandês e 78, a copa que virou piada. Em 82, a grande tragédia pós-50: a derrota de um Brasil que encantou o mundo e ainda hoje inspira o melhor futebol… Em 94 e 2002, o tetra e o penta!

A torcida torce e isso é o que importa. A maior parte jura e faz figa dizendo que o Brasil será hexacampeão agora em 2026, sem ligar para as reais condições da disputa. Ninguém sabe ao certo se o time está caindo pelas tabelas ou comendo a bola.

O futebol é apenas um pretexto, o que vale é o furdunço: o comércio entupido dos mais variados produtos em verde, azul e amarelo; e a cerveja correndo solta por semanas.

Claro, há uma minoria de chatos. Comentaristas e técnicos, anônimos e imaginários, todos cônscios de que a participação canarinha será um fiasco, de que a delegação voltará cedo pra casa…

– E daí? Três jogos tão garantidos! – Gritou Tonhão na calçada do Boteco do Moisés, para romper um cerco de infaustos. A fidelidade de Tonhão ao time brasileiro é 100%. Maior do que isso, só a vontade de que chegue logo a patuscada.

Por favor, alguém aí sabe me dizer qual foi o resultado do amistoso de sábado entre as seleções do Brasil e do Egito?

* Antonio Passos é jornalista e professor. Servidor público (PRF) aposentado. Graduado em História e Mestre em Ciências da Religião. As duas formações pela Universidade Federal de Sergipe – UFS

Compartilhe esta notícia