Crimes de Poço Verde investigados

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Polícia Civil garante estar bem perto de descobrir os responsáveis por uma série de assassinatos ocorridos desde o final do ano passado em Poço Verde (Centro-Sul) – e que já resultou em 17 mortes violentas na cidade em seis meses. A hipótese mais forte, apontada por um dossiê do Ministério Público e já admitida – apesar de não confirmada – pela polícia, é a de que um grupo de extermínio formado por "justiceiros" esteja agindo na cidade. Equipes da Coordenadoria de Polícia do Interior (Copci) e de outras unidades estão em Poço Verde para investigar estas mortes, em apoio à Delegacia local.

Um suspeito de participar dos crimes teve sua identidade divulgada nesta semana pela Secretaria de Segurança Pública (SSP): é José Augusto Aurelino Batista, 40 anos, que já respondeu a outros processos na Comarca de Poço Verde por homicídio e lesão corporal. Uma das mortes atribuídas a ele é a do adolescente Jeferson Nascimento Santana, 16 anos, que foi retirado de uma ambulância do Samu e executado com vários tiros de revólver e pistola, em 15 de novembro de 2012. O rapaz tinha sido baleado no pé em um primeiro ataque, ocorrido ainda em Poço Verde, e estava sendo transferido para o Hospital Pedro Valadares, em Simão Dias, mas, no meio da rodovia SE-361, a ambulância foi parada por quatro homens armados e encapuzados que consumaram o crime. "Não precisa correr não, minha senhora. A gente já fez o que queria", teria dito um dos assassinos, antes de fugir.

Segundo o coordenador da Copci, delegado Everton Santos, Aurelino seria o líder deste grupo e sua prisão é a principal chave para esclarecer todas as mortes. "Estamos já à procura do José Augusto. As investigações apontam que os crimes foram praticados por ele, o grupo que elimina as pessoas é comandado por ele, e estamos divulgando uma foto dele para que a comunidade nos auxilie e indique seu paradeiro. A partir da detenção dele, nós vamos saber quem são seus asseclas e quem é que patrocinou esses crimes, se é que houve patrocínio", disse Everton.

O assunto foi discutido nesta sexta-feira em uma reunião da cúpula da SSP com deputados da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. Ele veio à público no último dia 4 através de um pronunciamento da deputada estadual Ana Lúcia Menezes (PT), o que provocou a criação de uma força-tarefa da polícia em torno do caso. O secretário João Eloy de Menezes e o delegado Everton informaram que outros suspeitos também já foram identificados e que a segurança na região foi reforçada, inclusive em torno da divisa entre Sergipe e Bahia. "Encaminhamos policiais civis e militares para a cidade para investigar e estabelecer a ordem. Não concordamos com a atuação de possíveis justiceiros. A polícia já está com uma linha de investigação adiantada e vamos prender os culpados. Com as prisões iremos chegar a conclusão se os crimes têm ligação com extermínio", assegurou Eloy.

Já a deputada, que estava acompanhada dos colegas Venâncio Fonseca (PP) e Capitão Samuel (PSL), garantiu que a ação da polícia na cidade aliviou o clima de medo que reinava entre as comunidades locais. "Todos nós ficamos satisfeitos, pois a polícia está agindo com eficiência e a população de Poço Verde já está sentindo que o clima no município modificou. Nós vamos entrar em contato com o presidente da câmara de Poço Verde, com o prefeito e secretários do município para que possamos contribuir de alguma forma", disse Ana, ao confirmar que visitará a cidade nesta semana.

O relatório do Ministério Público apontou que boa parte dos 17 jovens assassinados tinha algum envolvimento com a criminalidade no município e que alguns deles já chegaram a ser presos. Ele relata que tais crimes eram geralmente cometidos por duplas, trios ou quartetos com uso de motos, carros de cor escura e armas leves, como revólveres e pistolas. Algumas vítimas foram assassinadas de surpresa, no meio da rua, enquanto outras eram levadas para locais desertos de Poço Verde ou de cidades vizinhas da Bahia, onde os corpos eram encontrados. Há relatos de que uma "lista" de pessoas marcadas para morrer era afixada em muros, portas de escolas e até nas redes sociais da internet, o que ainda não foi confirmado pela polícia.

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