Preços de produtos agrícolas disparam

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

A falta de chuva no litoral, sertão e agreste do estado de Sergipe continua causando problemas para a maioria dos agricultores e isso vem influenciando na elevação dos preços das hortaliças tradicionalmente produzidas por centenas de famílias sergipanas e comercializadas dentro e fora do estado. Nos mercados centrais de Aracaju, por exemplo, os consumidores reclamam da inflação registrada a cada final de semana, e na medida do possível, os comerciantes tentam conquistar a freguesia com apostas muitas vezes arriscadas.

Esse é o caso da estanciana Lucimara Ribeiro da Paixão que há mais de dez anos revende verduras produzidas nas terras do próprio pai. Para ela, o atual momento de crise já pode ser considerado o menos lucrativo dos últimos 15 anos em Sergipe. "Esse meu trabalho começou muito antes de vim trabalhar na capital e por acreditar em bons lucros estou aqui até hoje. Felizmente posso dizer que tenho fregueses fiéis, mas devido ao aumento dos produtos até eles estão diminuindo as compras. Produtos casadinhos é minha ‘carta na manga’ para vender mais", disse a vendedora.

Apesar da constante elevação dos preços das hortaliças, Aracaju, segundo o Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – apresentou o menor custo benefício da cesta básica dentre as 18 capitais pesquisadas. No último mês de março, cinco dos 12 itens que compõem a cesta sergipana apresentaram elevação: farinha de mandioca (19,11%), feijão (13,35%), tomate (12,78%), leite in natura integral (7,69%), e café em pó (4,96%). Atualmente, o conjunto financeiro desses produtos custa em média R$ 245,94.
Teoricamente, essas porcentagens podem até encher de esperança o cidadão que de costume compra muito em mercados centrais e feiras livres. Porém, na hora de ir às compras toda essa estatística pouco interfere no pensamento da população.

Surpreso com os valores, o funcionário público aposentado Manoel do Bispo lembrou-se dos anos em que a farinha, por exemplo, era refeição indispensável na mesa dos menos favorecidos. "Toda família de baixa renda possuía fados de farinha, hoje, quem pode ter esse alimento todos os dias é o rico. Nunca imaginei que um dia pagaria mais de R$ 5 pelo quilo desse produto", lamentou.

Ainda de acordo com estudos realizados pelo Dieese de Sergipe, em março o custo da cesta comprometeu exatos 39,43% do salário mínimo líquido. Em fevereiro, o percentual exigido era de 38,22%. Em março de 2012 a parcela do salário mínimo líquido gasta com os gêneros alimentícios somou 30,85%.
Preocupada com a atual situação, a presidente Dilma Rousseff recentemente afirmou que pretende promover a desoneração dos tributos federais das cestas básicas. Para Luiz Moura, supervisor técnico do Dieese, apesar da excelente iniciativa da chefa executiva do Governo Federal, ainda é cedo pra garantir boas economias para a população.

"Toda essa perspectiva de redução dos produtos vai depender individualmente de Estado para Estado. É necessário frisar que em algumas unidades federativas se trabalha com a taxação de ICMS, já em outras do IPI. A perda de receita para cada estado é que pode influenciar bastante positivamente, ou não. Depende do interesse e condições econômicas de cada estado", alegou.

Pouco ligada nas atuais questões econômicas do país, a engenheira de alimentos, Luíza Cavalcante, disse esperar ansiosa pela redução parcial dos impostos. "Tenho pra mim que não só eu estou interessada em estar viva para presenciar o dia em que um governante vai abrir mão dos impostos e reduzir o valor dos produtos. O que nos resta é torcer para que os administradores públicos se entendam e repassem esse benefício para o povo brasileiro que está cansado de falcatruas", afirmou.

No quesito valores, o quilo da mandioca, que no último mês de janeiro era vendido por R$ 1,50, passou para R$ 3,50; o quilo do inhame saltou de R$ 3, para R$ 6. Já o quilo da batata e cebola para esse final de semana será vendido em média por R$ 3; o tomate, considerado o ‘vilão’ dos últimos 15 dias não é encontrado com satisfatória condição nutricional por menos de R$ 6, o quilo.

Vale ressaltar que esses preços foram registrados no Mercado Albano Franco e na Ceasa – Central de Abastecimento de Aracaju. Em super e hiper mercados, a variação pode ser registrada para mais, ou para menos a depender do tamanho, peso e qualidade do produto.

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