DATAS SÃO PARA SEREM LEMBRADAS

Rômulo Rodrigues

Março de 2022 será um mês diferente do calendário brasileiro, começando no dia 3 e terminando em 1º de abril, por causa do período eleitoral, cujo ciclo para valer no Brasil, começou em 4 de março de 2016, no auge da opulência da famigerada, da quadrilha de Curitiba, comandada pelo juiz federal Sergio Moro e pelo procurador federal Antônio Fernando Santos Silva, o barbicha, que tentaram reeditar o inquérito do Galeão do Rio de Janeiro, sequestrando o ex-presidente Lula e levando-o para depor no aeroporto de Congonhas em São Paulo.
Os poderosos da República, a serviço da CIA, não avaliaram o tamanho do crime que estavam cometendo, e se deram mal, ante a enorme estatura moral do sequestrado e da repercussão do fato político.
Lula destruiu as arrogâncias dos canalhas com apenas uma frase: “Vocês pisaram no rabo da jararaca, mas esqueceram de esmagar a cabeça”.
Uma série de fatores e de erros dos sabujos do Departamento de Estado dos Estados Unidos, mostraram que o buraco era mais embaixo ou, se fosse hoje, o cometa era mais em cima.
O mês de março também requer muita atenção para uma data marcante: “8 de março, dia internacional da mulher trabalhadora”
Requer atenção especial porque os capitalistas com seus ímpetos de desvirtuarem qualquer data que resgate as lutas contra seus crimes, tentam romantizá-las e fazê-las datas comemorativas comuns, como se as dores de perdas humanas fossem amaciadas com flores e afagos, bolos rezas e outras coisas mais. Canalhas, que são.
O dia internacional de luta das mulheres foi proposto pela primeira vez em um congresso de mulheres socialistas de todo o mundo em Copenhague, Dinamarca em 1910.
Na sequência histórica vieram as luta das mulheres trabalhadoras na Rússia, nos Estados Unidos da América e na Europa, no inicio do século XX.
Um fato que impulsionou a luta das mulheres se deu em 25 de março de 1911, quando uma fábrica têxtil de Nova Iorque, que empregava 600 pessoas, a maioria mulheres imigrantes de 13 a 23 anos, em regime análogo ao trabalho escravo, incendiou e deixou um saldo negativo de mortes com 125 mulheres e 21 homens.
O ocorrido provocou uma onda de comoção e protesto e um enorme funeral coletivo no dia 5 de abril que desaguou numa demonstração de força da mulher trabalhadora e hoje o local abriga a Universidade de Nova Iorque.
Tudo isso aconteceu sem que as trabalhadoras estivessem em greve, mas a presença de 100 mil pessoas, fortaleceu a data de 8 de março como o dia mundial da luta das mulheres trabalhadoras.
Antes de 1910, em novembro de 1909, houve uma greve de trabalhadoras da indústria têxtil, que durou cerca de 3 meses e ficou conhecida como o levante das 20 mil, sendo que uma das suas lideranças foi uma jovem imigrante ucraniana e judia de 23 anos, Clara Lemlich, que foi diretora da União Internacional da Indústria têxtil, um dos maiores Sindicatos dos Estados Unidos e primeiro do país composto só por mulheres.
A pergunta que não quer calar! Por que será que em 2014, os EUA promoveram um golpe de estado na Ucrânia em que os nazifascistas queimaram a sede dos sindicatos, matando sindicalistas e membros do Partido Comunista e botaram no poder um comediante alienado e nazista para forçar a entrada da Ucrânia na OTAN e montar uma base militar americana a 3 minutos de Moscou? Reescreveram a história do seu jeito?
O mundo de hoje enfrenta a maior guerra de narrativas da história e o Brasil, como a verdade, são vítimas do noticiário feito diretamente da casa branca, sede do governo americano, que está, em paralelo, promovendo um extermínio, com Drones, no IÊMEN, e não é noticiado.
Muitas mulheres hoje estão sendo contaminadas nas narrativas russofóbicas, fruto de serem educadas sem terem tido brinquedos russos para suas crianças, sem comerem cachorros quentes russos, sem verem filmes e séries russos e sem lerem autores russos e nunca terem ido à Rússia se divertirem nos parques ou fazerem compras.
Ah! A Rússia cometeu atrocidades? Cometeu muitas. Mas não invadiu 16 países depois da 2ª guerra mundial, nem promoveu, com mentiras, um genocídio no Iraque, na Líbia e na Síria e nem matou 110 milhões de pessoas nos últimos 100 anos. Quem fez isso foi os Estados Unidos, que matou e mata milhões de mulheres e faz as cabeças das que escaparam para que sejam românticas, não questionem e se contentem com buquê de flores e afagos.

Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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