Débito da PMA com o Cirurgia pode prejudicar atendimento

Milton Alves Júnior
 miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que são atendidos no Hospital de Cirurgia podem enfrentar problemas na assistência médica já nos próximos dias em decorrência de um débito calculado em cinco milhões por parte da Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal de Saúde. Com o atraso no repasse dos valores devidamente constatados em contrato, a direção da unidade hospitalar informa que não pretende cessar os atendimentos de imediato, mas essa possibilidade não é descartada em decorrência da fragilidade já enfrentada no serviço público. Atualmente o HC é a segunda maior unidade de atendimento hospitalar para pacientes do SUS no Estado de Sergipe.
Preocupado com a situação, o diretor presidente do Hospital Cirurgia, Gilberto dos Santos, concedeu entrevistas ontem e lamentou a dívida existente. Segundo ele, é necessário que a administração municipal regularize de imediato a pendência financeira a fim de evitar possíveis quebras de contrato. "Hoje 90% dos atendimentos no Cirurgia são de pacientes do SUS e a situação a cada dia que passa fica ainda mais complicada. É bom deixar claro que estamos fazendo de tudo pra evitar a interdição no atendimento", declarou. Por se tratar de um assunto de interesse coletivo, o Ministério Público Estadual também já foi informado quanto ao atraso.
Após a denúncia pública por parte da direção do HC, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) se pronunciou e confirmou os relatos de Gilberto dos Santos. De acordo com a Assessoria de Comunicação, a perspectiva é que o problema seja solucionado ainda essa semana. "Estamos cientes das denúncias relacionados ao atraso, mas acreditamos que até esta quinta-feira, 19, o problema declarado já comece a ser solucionado. O que podemos garantir neste momento é que os pacientes não serão prejudicados", declarou a jornalista Cristina Rochadel. Pela falta de pagamento, problemas com outros serviços são constatados desde o início do ano e causam desordem na administração da unidade.
No mês de março deste ano o Ministério Público Federal em Sergipe em parceria com o Ministério Público do Estado de Sergipe promoveram audiências para discutir os débitos do hospital junto a Energisa, concessionária de energia do Estado. Na ocasião a promotora de Justiça Euza Missano concedeu um prazo para que a dívida fosse quitada a fim de evitar cortes. Já no início deste semestre uma nova audiência foi promovida na sede do Ministério Público e gestores da SMS informaram que a demora no repasse desse dinheiro era em virtude do atraso do Ministério da Saúde, que repassa para o Estado de Sergipe, e em seguida segue para os cofres municipais.
"No mínimo a nossa situação está difícil. Nesse momento não nos importa de onde vem o atraso no repasse desse dinheiro, e sim que o nosso atendimento começa a ficar prejudicado e os pacientes podem ser prejudicados. Esperamos uma solução imediata para não interromper o atendimento temporariamente", pontuou Gilberto.

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