Déda quer ajudar petistas a pagarem multa do mensalão

Luana Lourenço
Agência Brasil

O governador de Sergipe, Marcelo Déda, disse ontem que ajudar os dirigentes petistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Penal 470, o processo do mensalão, a pagarem as multas estabelecidas pelo tribunal é uma questão de "generosidade" e "solidariedade".

Déda foi questionado por jornalistas se irá a um jantar que o PT está organizando para arrecadar fundos para ajudar no pagamento das multas. A festa vai ocorrer amanhã (17) em um restaurante de Brasília, e os convites variam entre R$100 e R$1 mil. De acordo com o partido, foram vendidos 110 dos 170 convites disponíveis.

Apesar de não ir ao jantar, o governador disse que solidarizar-se com amigos não significa apoiar eventuais erros cometidos por eles e que está disposto a contribuir para o pagamento das multas do mensalão, se for procurado.

"Eu sou de uma geração que aprendeu a valorizar a solidariedade. Solidarizar-se com um companheiro, com um amigo, que eventualmente sofreu uma condenação criminal, não significa nenhum tipo de adesão a um possível erro que foi cometido. É um dos aspectos mais belos da vida humana: ser capaz de solidarizar-se com um companheiro que não deixou de ser amigo porque eventualmente foi condenado", disse  Déda em entrevista após encontro com a presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto.

"Eu, se procurado, contribuirei nos limites da minha solidariedade com aqueles que são meus amigos. Foram meus companheiros de 20, 30 anos e que eventualmente estão condenados pelo STF", acrescentou.
O governador chegou a citar um trecho da Bíblia para argumentar a favor da solidariedade e generosidade. "Há um trecho em Mateus que precisa ser lido com mais frequência. É aquele em que o evangelista diz que Jesus relatara que no final dos tempos ele agradeceria às pessoas que o visitaram quando estavam doente, que foram à prisão quando ele estava preso. Eles dirão: ‘Mas eu nunca te vi na prisão, nunca te vi doente’. Ele disse: ‘aquele preso a quem foste visitar, aquele doente a quem visitaste era eu’. Isso não precisa ser religioso para entender".

Somadas, as multas recebidas pelos deputados José Genoíno (PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP) e pelo ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, passam de R$1,5 milhão.

Governador de Sergipe e prefeito de Aracaju discutem projetos com Dilma

O governador de Sergipe, Marcelo Déda, e o prefeito de Aracaju, João Alves Filho, estiveram ontem no Palácio do Planalto para discutir projetos para a capital sergipana com a presidenta Dilma Rousseff. As prioridades, segundo Déda, serão iniciativas nas áreas de infraestrutura, mobilidade urbana e prevenção de desastres. Os projetos ainda serão detalhados pela prefeitura.

Déda disse que as diferenças políticas entre o prefeito de Aracaju, que é do DEM, e os governos estadual e federal, não devem inviabilizar investimentos na capital sergipana. "A presidenta manifestou a disposição do governo, da União, de construir uma relação tripartite com o governo de Sergipe e com a prefeitura de Aracaju para viabilizar investimentos estruturantes na capital do estado", declarou o governador após o encontro.

Déda convidou Dilma a ir a Sergipe ainda este mês para inaugurar a Ponte Gilberto Amado, que liga o sul do estado ao norte da Bahia e recebeu investimentos de R$125 milhões. "A ponte vai aproximar Sergipe de Salvador, que é uma das sedes da Copa", ressaltou.

Na mesma ocasião, o governador quer aproveitar a presença da presidenta no estado para assinar contratos com a iniciativa privada que preveem investimentos de R$ 700 milhões em Sergipe. As empresas são das áreas de cimento, energia eólica e refrigerantes, segundo o governador.

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