Mulher é presa por colaborar com vereador

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Mais uma pessoa foi presa ontem por acusação de envolvimento com o esquema de tráfico de drogas investigado pela polícia em Brejo Grande (Baixo São Francisco). A agente de saúde Luana Ferreira dos Santos, 38 anos, conhecida como "Luana do Bar do Sítio", foi detida às 11h de ontem dentro do Hospital de Cirurgia, no bairro Cirurgia (zona central de Aracaju), onde acompanhava um paciente. Luana é acusada de fornecer as drogas vendidas pelo traficante Aderaldo Feitoza Filho, 38, preso em outubro do ano passado e irmão do vereador Adriano Feitoza (PSB), 34, que foi detido ontem.

A acusada também teve sua prisão preventiva decretada pelo juízo da Comarca de Pacatuba, a partir de uma denúncia oferecida pelo Ministério Público local. Apesar de a prisão ter sido pedida pela promotoria, com base em provas levantadas na investigação contra Aderaldo, a polícia de Brejo já investigava a atuação de Luana na venda de drogas e tinha o receio de que ela fugisse do estado após a prisão do vereador Adriano e de seu outro irmão, Damião Feitosa, que foi preso em Carmópolis (Vale do Cotinguiba), igualmente por ordem judicial.

Luana será processada pelo crime de associação para o tráfico. Filiada ao PSB, ela também foi candidata ao cargo de vereadora de Brejo Grande nas eleições municipais do ano passado, concorrendo pela mesma chapa de Adriano, mas recebeu apenas 116 votos e ficou como suplente. A agente de saúde foi conduzida no início da tarde de ontem ao cartório da Coordenadoria de Polícia Civil do Interior (Copci) e, após ser ouvida, foi transferida para a carceragem da 8ª Delegacia Metropolitana (Capucho).

Droga eleitoral? – Horas antes, os delegados Tarcísio Tenório, de Brejo Grande, e Cledson Ferreira, da Regional de Propriá, admitiram à imprensa que outras pessoas envolvidas com os irmãos Feitoza poderiam ser presas, a depender de provas e informações que surgissem ao longo do processo. Eles detalharam a investigação que levou às prisões de Aderaldo, detido em flagrante no dia 5 de outubro, e posteriormente, de Damião e Adriano. De acordo com Cledson, que trabalhou em Brejo Grande antes de ser transferido para Propriá, havia à uma grande quantidade de denúncias apontando diversos integrantes da família Feitoza como os principais traficantes da cidade. "Iniciamos as investigações e fomos subsidiados com valiosas informações do Departamento de Narcóticos (Denarc), que apontava o envolvimento dos irmãos Feitoza no crime de tráfico", explicou.

As investigações continuaram com a mudança do delegado e foram aceleradas na véspera das eleições de outubro, quando a Justiça Eleitoral encaminhou à polícia, por e-mail, uma denúncia de que pedras de crack estavam sendo oferecidas a viciados em troca de votos, em uma casa no centro de Brejo. Os policiais civis e militares foram até lá e flagraram um usuário recebendo drogas de Aderaldo e saindo da casa. "Havia a suspeita de que a droga era usada por compra de votos, mas esse usuário que saiu da casa de Aderaldo disse no interrogatório que é de Ilha das Flores e que comprou a droga, apenas para sustentar seu vício. Autuamos o Aderaldo em flagrante apenas pelo crime de tráfico, porque o crime eleitoral não ficou configurado", explicou o delegado Tenório.

Após a abordagem, a polícia foi até uma baia de cavalos pertencente à família do acusado, onde encontrou 53 pedras de crack e R$ 2.400 em dinheiro, enterrados na areia. "A partir desta prisão, o Ministério Público Estadual entendeu que havia provas suficientes para também prender, os outros irmãos Damião e Adriano", completou Tarcísio. Os irmãos Feitoza continuam presos em Aracaju, onde aguardam decisão da Justiça de Pacatuba. O Diretório Estadual do PSB ainda não se manifestou sobre a situação de Luana e de Adriano, que podem até ser expulsos do partido.

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