Cândida Oliveira
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Gigantes de mamíferos (preguiças e tatus gigantes, mastodontes, toxodontes, lhamas gigantes e o tigre-de-dentes-de-sabre); mamíferos de pequeno porte (preá e tatu-bola) e jacaré são espécies encontradas no interior sergipano, graças à pesquisa paleontológica do bolsista de Desenvolvimento Científico Regional CNPq/Fapitec, Mário Dantas, do Laboratório de Paleontologia, da Universidade Federal de Sergipe (UFS).
Mário trabalha com o estudo de fósseis de mamíferos desde 2003. No início era um aluno de graduação, hoje já possui doutorado e continua trabalhando com o mesmo tema, porém agora com enfoque em duas áreas principais: a paleoecologia desses mamíferos, e a buscar novas informações sobre a interação entre o homem e a megafauna no Brasil.
Ele relata que a descoberta de fósseis em Sergipe data do século XIX, em 1848 quando foram encontrados fósseis no município de Canhoba. Na época o material foi enviado ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro (RJ). Quase 100 anos depois foram realizadas novas descobertas nesse mesmo município, só que realizadas por José Augusto Garcez e pelo Clube Estudantil de Geologia Amadorista de Sergipe. "As pesquisas com cunho científico começaram a ocorrer na década de 80, graças aos esforços da professora Dra. Maria Helena Zucon. Hoje conhecemos a ocorrência desta fauna em dois tipos de afloramentos fossíliferos, em tanques, as ‘antigas lagoas’, nos municípios de Canhoba, Monte Alegre, Aquidabã, Poço Redondo; e em uma caverna no município de Simão Dias", esclarece.
De acordo com Mário, as pesquisas já revelaram a descoberta de fósseis pertencentes a 15 espécies, sendo que destas, 12 são de espécies gigantes de mamíferos extintas, duas de espécies de mamíferos de pequeno porte (preá e tatu-bola) e uma de uma espécie de jacaré ainda existente também.
O pesquisador conta também que já foi encontrado um dente de uma preguiça gigante que foi modificado por ação humana, que será datada, mas pode ter entre 11 a 28 mil anos. Fato que pode ajudar a comprovar a hipótese de que o homem chegou à América antes dos 11 mil anos, como se acredita atualmente. "Na pré-história era comum o homem utilizar ossos de animais para confeccionar ferramentas e ou pingentes como enfeites. No entanto, até o momento, não existia registros em ossos de mamíferos gigantes", revela.
Descoberta – A descoberta desses fósseis ocorre na época da seca, quando a população que mora próximo aos tanques – antigas lagoas, também chamadas de cacimbas, pia de pedra -, cavam para retirar o sedimento para poder guardar mais água na época da chuva. "Nunca encontramos esqueletos completos e articulados como aparece nos filmes. Nos locais que trabalhamos os moradores, por desconhecimento, já tinham quebrado os fósseis ao cavarem o fundo dos tanques, e colocavam tudo nas laterais dos tanques. Quando vamos coletar esse material encontramos fragmentos de ossos e dentes, e é a partir desse material que fazemos a identificação das espécies", detalha Mário.
Nos últimos anos os pesquisadores tem se esforçado em realizar datações de alguns dos fósseis encontrados em Sergipe. "Já realizamos dezoito datações, em fragmentos de ossos e dentes, e os resultados encontrados até o momento indicam a ocorrência desta fauna entre 11 a 50 mil anos. Novas datações poderão revelar idades mais recentes ou antigas", conta ele.
Segundo Mário, o tipo de fossilização mais comum de se encontrar nesses tanques é a ‘permineralização’. Nesse caso, os sedimentos e minerais encontrados nas proximidades preenchem os poros dos ossos, e assim ajudam a fossilizar os ossos. Mas há outros tipos de fossilização, como a ‘substituição’, em que o material original do osso é substituído por minerais encontrados nas proximidades.
Dos fósseis encontrados em Sergipe, estão em exposição apenas o acervo que pertencente ao Memorial de Sergipe, da Universidade Tiradentes. Este acervo é composto por peças que pertenceram a José Augusto Garcez, e foram coletados em Canhoba. "O material de nossas pesquisas está guardado na coleção do Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal de Sergipe, e é utilizado apenas para estudo", informa.
Fósseis – Os fósseis são registros arqueológicos deixados no solo ou no subsolo, são restos de animais e plantas que se conservaram de maneira natural ao longo de milhões ou até bilhões de anos. São conservados em sedimentos minerais, principalmente a sílica; o processo de fossilização consiste na transformação da matéria orgânica em um composto mineral, mas que não perde sua característica física. Um fóssil pode ser definido como a substituição da matéria orgânica de um animal ou vegetal por minerais. Por meio desse elemento arqueológico, o paleontólogo (profissional que estuda os fósseis) realiza descobertas de fatos que aconteceram há milhões anos.


