Despejados da Cabrita invadem prefeitura de SC

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Cerca de 100 famílias despejadas de uma área localizada no Alto da Boa Vista, no bairro Santa Maria, em São Cristóvão, decidiram ocupar a prefeitura da cidade na manhã de ontem cobrando do executivo municipal a assistência do auxílio-moradia.
O despejo ocorreu no dia 07 deste mês por força de uma decisão judicial da 2ª Vara Cível. Após ocupação do prédio, a assistência social da administração municipal informou que a prefeitura fará o cadastramento para iniciar o processo de concessão do benefício.
"Desde o despejo as famílias estão abandonadas, vivendo embaixo de barracos de lonas, passando por várias dificuldades e a prefeitura não adotou nenhuma providência. Assim, a única solução foi ocupar o prédio da prefeitura para que possam ser ouvidas. Só sairemos daqui após uma definição do executivo municipal sobre a oferta do auxílio-alimentação", disse Gilberto Oliveira, liderança do Movimento em Defesa dos Moradores e Amigos do Santa Maria.  
O líder comunitário destacou que após o despejo do dia 07 de novembro algumas famílias ocuparam outro terreno situado em frente à área onde ocorreu a reintegração de posse e outra parte foi para casa de parentes.
A concessão de auxílio-moradia para as famílias também foi solicitada através de uma ação protocolada pela Defensoria Pública desde o dia 12 de maio deste ano. Na ação, a Defensoria Pública cobra das prefeituras de Aracaju e São Cristóvão que seja providenciado, provisoriamente, um local para as famílias e a concessão do auxílio moradia. A ação foi baseada na informação de que o terreno está localizado em uma área limítrofe entre os dois municípios.
A ação também cobra que o Estado faça um estudo do espaço onde o terreno está localizado e decrete como área de interesse público para construção de moradia popular.
Na ocasião, a Prefeitura de São Cristóvão informou que estava à disposição das famílias para realizar o cadastro para o benefício do auxílio moradia, mas que havia encontrado resistência das próprias famílias que se recusam a morar na cidade, fato que ontem foi contestado pelas lideranças comunitárias que ocupam o local.
Após a ação, a Defensoria Pública julgou o Agravo de Instrumento sobre a responsabilidade da área, dando a competência para o município de São Cristóvão para resolver a situação, viabilizando alternativa de moradia para as famílias despejadas.
Sem avanço, as famílias fizeram uma manifestação na última segunda-feira bloqueando uma das vias do bairro Santa Maria.
Ontem, de acordo com Gilberto Oliveira, a prefeitura de São Cristóvão sinalizou com a realização de uma reunião. Uma comissão formada por representantes das famílias deverá ser recebida nos próximos dias pela direção da Procuradoria do Município de São Cristóvão e por técnicos da Assistência social para que sejam adotados os encaminhamentos necessários.

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