Detentos rendem agente em presídio

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Um tumulto aconteceu por volta das 11h de ontem no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcam), em São Cristóvão (na Grande Aracaju). O agente penitenciário Francisco Vieira, 37 anos, lotado no Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope) foi atacado por presos de uma cela do Pavilhão 3 da unidade. Segundo informações de agentes, ele estava organizando a entrega do almoço nas celas quando foi agarrado e rendido por dois detentos escolhidos para receber as refeições. Um deles estava armado com um chuço e chegou a ferir o agente com cortes nas costas e nas mãos. A suspeita é que o chuço teria sido improvisado com um vergalhão arrancado da estrutura física do presídio.

O tumulto foi controlado rapidamente pelos outros agentes penitenciários, que foram alertados com o acionamento da sirene e os gritos dos outros presos. Durante a chegada os guardas, Francisco conseguiu se desvencilhar do preso armado e o imobilizou com a ajuda de um colega – ambos são lutadores de artes marciais e chegaram a fazer um curso de especialização na área. Um terceiro agente, que coordena o Pavilhão 3 estava armado e ameaçou atirar nos rebeldes, caso eles não parassem com o tumulto. O incidente atrasou em cerca de uma hora a liberação de visitas marcadas para os presos do pavilhão.

De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindipen), Marcelo Soares, o agente Francisco sofreu uma perfuração de chuço na mão direita e foi atendido no ambulatório do próprio presídio e depois no ambulatório do Ipessaúde, sem maior gravidade. Em seguida, foi prestado um boletim de ocorrência para registrar o caso. Para Marcelo, que acionou um advogado do sindicato para dar assistência ao agente, o que houve foi um "atentado" dos presos para tentar provocar uma rebelião no Copemcan. Ele também responsabilizou a superlotação do presídio, que hoje tem cerca de 2.300 presos para 800 vagas.

Tal plano, no entanto, foi negado pela direção do presídio, que trata o caso como "um incidente isolado" entre o agente e um dos detentos. Sobre a superlotação, o diretor Alexandre Iglesias admitiu que o problema existe, mas "é endêmico" em todo o sistema prisional e não pode ser usado como única justificativa para as fugas.  O Departamento Estadual do Sistema Penitenciária (Desipe) vai instaurar um processo administrativo para investigar o episódio.

O Copemcan foi palco também de uma apreensão inusitada ocorrida no último sábado: dois homens foram detidos na área externa da penitenciária, enquanto tentavam jogar 20 garrafas plásticas com cachaça e duas facas escondidas. O material estava envolto com esparadrapos brancos e lançados com a ajuda de cordas. A dupla estava usando uma moto e foi interceptada a tempo por agentes do Desipe. Nenhum material foi jogado para dentro da cadeia. Os acusados, que não tiveram seus nomes divulgados, foram presos em flagrante e autuados na Delegacia Plantonista (Deplan).

Compartilhe esta notícia