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Domingo sangrento na Euclides Figueiredo


Publicado em 19 de junho de 2012
Por Jornal Do Dia


Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Os moradores da Avenida Euclides Figueiredo, a principal via de ligação dos bairros periféricos da zona norte de Aracaju, viveram anteontem um domingo sangrento. Em menos de 12 horas, três pessoas foram assassinadas a tiros em três pontos diferentes da mesma avenida, cujos moradores se queixam da falta de segurança. A sequência de crimes levou o comando da Polícia Militar a anunciar um reforço do policiamento ostensivo na região, que entrará em vigor nos próximos dias.
O caso de maior repercussão aconteceu por volta das 21h no loteamento Pau Ferro, quando um homem armado e aparentemente drogado atirou contra cinco pessoas dentro de uma casa. O ajudante de pedreiro Mário Sérgio Melquíades da Silva, 28 anos, morreu no local com vários tiros. Outros dois parentes ficaram feridos de raspão e foram medicados no Pronto-Socorro Municipal Nestor Piva. O autor do crime, José Graceliano Ramos, 21 anos, foi preso em flagrante por uma guarnição da Polícia Militar, depois de ser dominado e agredido por vizinhos e parentes das vítimas.
O músico Diego Melquíades, sobrinho de Mário, foi um dos cinco rapazes que foram atacados pelo acusado. Ele contou que o grupo terminava de assistir um jogo de futebol quando foi surpreendido por Graciano. "Ele apareceu do nada, não falou nada e saiu atirando. Estava totalmente drogado e tivemos a certeza disso quando ele foi dar mais disparos e a arma ou ‘negou’ (falhou) ou acabou a munição", relatou, acrescentando que, neste momento, o grupo correu atrás do atirador para detê-lo. "Ele (Graciano) conseguiu invadir a casa de um morador, botou esse morador pra fora e ele acabou trancando o rapaz dentro da própria casa", disse Diego.
O acusado acabou cercado e agredido por vizinhos e parentes do pedreiro, até a chegada de soldados do 8º Batalhão da Polícia Militar (8º BPM). A arma do crime, um revólver, foi tomada pelos parentes da vítima e apreendida. Os feridos foram atendidos por uma equipe do Samu, mas Mário Sérgio, atingido nas costas e em uma das pernas, não resistiu aos ferimentos e morreu. Para Diego, que sobreviveu ao ataque, outras pessoas correram risco de serem feridas ou mortas. "Foi tudo de repente, em menos de dois minutos. A mulher do meu primo estava lá e poderia ter sido atingida também. Se alguma criança estivesse lá também seria atingida, porque ele disparou a esmo", disse o músico.
O corpo foi velado ontem à tarde em uma casa próxima ao local do crime e enterrado no Cemitério São João Batista. A prima do pedreiro, Edivânia Melo Silva, afirma que familiares dele estão sendo ameaçados pelos irmãos do acusado e pedem proteção à polícia. "Na noite do acontecido, lá na casa, já passaram por já fazendo ameaças, dizendo que isso não ia ficar assim e que o restante (da família) ia ter que pagar o que fizeram com o irmão deles. Pagar por quê, se a gente não deve nada a ninguém? Se ele (Mário) não devia nada a ninguém? Estava tudo tranquilo, assistindo a TV, não tinha malandro nem nada. Eu queria saber porque o rapaz fez isso", indigna-se Edivânia.
Uma suspeita levantada no local afirma que o ajudante de pedreiro teria sido morto por engano, ao ser confundido com outro rapaz – suposto inimigo do acusado. No entanto, a família afirma que não há nada claro sobre o motivo do crime. "Não tenho o que falar do meu primo. Uma pessoa que não era de farra, nem de bebida, um rapaz trabalhador, amoroso, que ajudava a família… a indignação é muita. Não me conformo de ele ter ido embora dessa maneira", lamentou a prima. Caçula de sete irmãos, Mário tinha uma namorada e não teve filhos.  

Outras mortes – O segundo assassinato na Euclides Figueiredo aconteceu na mesma noite e a poucos metros do primeiro crime: próximo ao posto de saúde do bairro Coqueiral. Marcos Paulo Ferreira de Jesus, 27, o ‘Marquinhos’, ex-jogador de futebol, foi baleado às 18h por um motoqueiro armado que fez vários disparos, sem nenhum motivo aparente. No velório, os familiares não quiseram dar detalhes do crime e afirmaram que só foram avisados da morte de Marquinhos quando o corpo foi levado para o Instituto Médico Legal (IML).
Ao início da tarde, mais uma morte: o artesão João do Carmo Júnior, 36 anos, foi executado na porta da casa dos pais, na altura do bairro Santos Dumont, onde morava e fabricava barcos e canoas artesanais de madeira. Segundo testemunhas, dois rapazes em uma moto amarela atacaram júnior de surpresa, enquanto trabalhava na fachada de casa. A vítima ainda tentou escapar dos tiros, mas foi atingida pelas costas e morreu no local. A principal suspeita da polícia é de que o crime estaria ligado a uma suposta desavença de um morador do bairro com o pai do artesão.
Os três assassinatos são investigados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, que já ouviu depoimentos de testemunhas dos três casos.

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