Até o presente momento, o STF não vislumbrou razões técnicas ou mesmo humanitárias para mandar Bolsonaro pra casa.
Condenado a 27 anos de prisão, o ex-presidente Jair Bolsonaro não quer saber de cumprir pena no xilindró, apesar das mordomias desfrutadas no recesso de cela especial. A depender de sua vontade, ele estaria vendo o sol nascer quadrado no bem bom do próprio lar.
Bolsonaro não é qualquer um. Submetido aos rigores da Lei, privado de liberdade após julgamento exemplar, o ex-presidente come do bom e do melhor, em cela ampla, com vários cômodos e banheiro privativo. Sob a custódia do Estado, ele goza de assistência médica continuada. Toma banho de sol a qualquer hora do dia. Recebe visitas com toda a privacidade. Mesmo preso, Bolsonaro não tem nada a reclamar.
A sua defesa, no entanto, não se conforma com a pena de Bolsonaro. Um dia sim, outro também, advogados muito bem pagos e capazes tentam convencer o juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a conceder-lhe o benefício da prisão domiciliar.
O ministro faz tudo como manda o figurino. Até o presente momento, entretanto, não vislumbrou razões técnicas ou mesmo humanitárias para mandar Bolsonaro pra casa.
Após nova arguição da defesa, Alexandre de Moraes determinou, nesta segunda-feira, que a direção da Papudinha, onde Bolsonaro cumpre pena, envie à Corte, no prazo de cinco dias, um relatório completo sobre as visitas de parentes e advogados ao ex-presidente. A administração do presídio também deverá enviar informações sobre consultas e atendimentos médicos, sessões de fisioterapia, leitura de livros e eventuais ocorrências.
Com tantas regalias, é pouco provável que se conclua que Bolsonaro não tem condições de cumprir pena na sua cela. Se for mesmo o caso, no entanto, raríssimos custodiados da imensa população carcerária do Brasil teriam as mesmas condições de o demonstrar.


