O empresário e advogado Milton Andrade (PMN) vai estrear na carreira política como candidato a governador do Estado. "A nossa campanha será sustentada no tripé: renovação política, combate irrestrito à corrupção e gestão eficiente da máquina pública", explica em entrevista ao Jornal do Dia. Ele está confiante na viabilização de uma boa coligação para disputar o pleito de sete de outubro. "Temos caminhado nessa perspectiva e hoje já temos uma aliança estabelecida com o Partido Verde e com o PRTB, e, em breve, anunciaremos mais um partido que se engajará ao nosso projeto".
JD – Qual a razão de o senhor ter resolvido ingressar na vida pública logo como candidato a governador?
Milton Andrade – A primeira motivação é o fato de estar insatisfeito com tudo o que temos visto e vivido em termos administrativos. O segundo motivo é a certeza de que posso colaborar para tirar o meu Estado desse cenário de letargia e do quadro tenebroso que tem se arrastado ao longo do tempo. Sou advogado e empresário, poderia me acomodar e cuidar apenas dos meus negócios e da minha família, mas como cidadão, eu não aguento mais ver Sergipe ostentando o último lugar em segurança pública, com índices extremamente negativos em educação e com uma saúde na UTI. Tenho certeza que com a experiência que acumulei ao longo da vida como gestor, eu posso contribuir para que saiamos desse estado de penúria a que Sergipe foi submetido.
JD – O senhor acha que será possível formar uma coligação que possa viabilizar essa candidatura?
MA – Não tenho dúvida de que será possível. Temos caminhado nessa perspectiva e hoje já temos uma aliança estabelecida com o Partido Verde e com o PRTB, e, em breve, anunciaremos mais um partido que se engajará ao nosso projeto. É bom que se frise que quem está vindo, não o vem por dinheiro ou por troca de cargos. Não lotearemos a gestão em troca de apoio, pois não entendemos a política como um processo de negociata. Quem está se juntando a nós é porque, também, está insatisfeito com o que tem vivenciado e encontra em nosso nome um sopro de esperança para que tudo isso possa ser mudado. O meu sonho, como sergipano que sou, como empresário que gera emprego e renda e que contribui economicamente para o Estado, é vê-lo retomando o rumo do desenvolvimento econômico e social, fazendo com que o povo se sinta amparado e perceba, na prática, o dinheiro dos seus impostos sendo revertido em ações e investimentos que resultem na melhoria da condição de vida de cada um.
JD -Como o senhor pretende garantir os recursos necessários para a campanha?
MA – Não utilizaremos Fundo Partidário. A nossa campanha será custeada com recursos próprios e com doações de simpatizantes e apoiadores do nosso projeto. Abrimos uma plataforma de doação online, a vaquinha online, e quem desejar pode doar a sua contribuição na certeza de que esse recurso será muito bem-vindo e devidamente utilizado. Já, desde a campanha, mostraremos que é possível fazer uma boa gestão gastando pouco. Nesse processo, as parcerias e a criatividade farão diferença.
JD – O senhor é representante da classe empresarial. Qual o tamanho do Estado que o senhor defende?
MA – Eu defendo um Estado do tamanho da eficiência, com menos Secretarias, sem privilégios, sem regalias e com a máquina pública enxuta. Entendo que a gestão deve gastar menos com a máquina e mais com o povo. E só se faz isso com austeridade, com menos cargos comissionados que, em geral, são ocupados por apadrinhados políticos de quem está no comando do Estado ou de aliados influentes. Aliás, reduzir funções comissionadas, significa abrir oportunidade para a realização de concursos para áreas essenciais como saúde, educação e segurança. Assistimos diariamente reclamações de pacientes que procuram as unidades de saúde, mas não conseguem atendimento por falta de médico e até de material básico. Igual realidade, observa-se na segurança pública, onde temos estruturas comprometidas e baixo efetivo policial. Como consequência dessa política nefasta, Sergipe passou a ocupar o primeiro lugar no ranking da violência, perdendo até para Alagoas que, por décadas, sempre foi referência em índices negativos.
Defendo um Estado que adote o instrumento da meritocracia no serviço público, que valorize os trabalhadores, concedendo-lhes gratificação por metas e desempenho e garantindo a reposição salarial anual, o que há seis anos não existe, em total desrespeito à Constituição brasileira. Por fim, defendo um Estado onde os gestores entendam e vivam o verdadeiro sentido da política e do serviço público. Tenho profissão e trabalho todos os dias, portanto, não quero fazer carreira política. Para mim, a função política é para ser exercida por um período determinado, possibilitando a outros a oportunidade de se inserir, promovendo, desta forma, a salutar alternância de poder.
JD – Quais serão as suas prioridades durante a campanha?
MA – A nossa campanha será sustentada no tripé: renovação política, combate irrestrito à corrupção e gestão eficiente da máquina pública. Importante deixar claro que quando nos referimos a renovação, não estou falando de idade, mas de práticas, de valores e princípios éticos inegociáveis e que devem nortear toda gestão. No que diz respeito ao combate à corrupção, essa é uma questão sobre a qual não tergiversaremos. Agiremos de forma dura e não toleraremos qualquer ato dessa natureza, por entendermos que a corrupção é a mola propulsora de todo esse caos que reflete diretamente na vida de todos, mas especialmente, dos que dependem dos serviços públicos. Quanto a eficiência da máquina pública, o primeiro ponto é nomear equipe técnica para cuidar de cargos técnicos, evitando as interferências políticas para que esses profissionais possam trabalhar de forma efetiva, entregando com eficiência os resultados esperados pela sociedade.
JD – Por que as pessoas devem acreditar que o senhor será diferente de outros gestores que já passaram ou estão no poder?
MD – Analisando as minhas práticas, buscando conhecer quem é Milton, qual é a minha história. Observar que a minha fala se coaduna com as minhas atitudes. Ilustro isso lembrando que fui secretário-adjunto de Esporte e Lazer de Aracaju e, à época, abri mão de carro, de motorista e de celular pagos com dinheiro público. Eu ia trabalhar com o meu carro, que eu mesmo dirigia, e usava o meu celular particular. Outro ponto que devo destacar é que eu aceitei a função acreditando que poderia contribuir. Apresentei sugestões, apontei saídas para algumas demandas e quando percebi que as coisas não funcionavam, simplesmente, pedi para sair. Eu poderia ficar lá quieto, recebendo salário no final do mês, mas resolvi sair por entender que a função pública é para servir à coletividade e não para me servir. Agora, é a hora de me colocar à disposição do meu partido, o PMN, e da sociedade para que eu possa mostrar a minha capacidade diferenciada de gerir, especialmente, a máquina pública.


