Entidades querem barrar violência no transporte coletivo

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Sem segurança qualificada e ostensiva, usuários do transporte coletivo na Grande Aracaju estão cada vez mais vulneráveis às ações criminosas realizadas diariamente contra passageiros, motoristas e cobradores de ônibus. Na tentativa de evitar novas ocorrências de brutalidade, uma reunião extraordinária está marcada para ser realizada essa semana entre gestores da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) e representantes do Sindicato dos Trabalhadores de Transporte (Sintra). O encontro foi articulado na manhã de ontem após uma mulher, de identidade não divulgada, ter sido esfaqueada dentro de um ônibus ao tentar reagir a um assalto. Em 2013, a Delegacia Plantonista (Deplan) registrou exatos 800 registros de assaltos a ônibus.

Os números, segundo pesquisa divulgada no final do mês passado, representam um aumento significativo de 140%, se comparado ao mesmo período de 2012, quando 330 veículos foram alvo dos bandidos. Sem segurança ostensiva, a tendência é que os casos de arrastão e tentativas de homicídio continuem assustando a população que além de reclamar da falta de segurança, lamenta também o atual preço da tarifa, a precariedade do sistema público e da falta de qualificação dos pontos de ônibus e terminais de integração. Ao tomar conhecimento da reunião e do esfaqueamento, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo (Setransp) lamentou a ocorrência e informou que 90% dos veículos que atualmente formam a frota na Grande Aracaju possuem câmeras de segurança.

25 assaltos – No final da tarde de ontem em entrevista exclusiva ao Jornal do Dia, o presidente do Sintra, Miguel Belarmino da Paixão, informou que até às 12h de ontem o sindicato já havia registrado 25 assaltos nos sete primeiros dias do ano, o que representa uma média de quatro registros por dia. Diante da onda de violência o sindicalista não descartou a possibilidade de uma greve geral ainda esse mês de janeiro. "Não aguentamos mais tanta falta de segurança dentro dos ônibus. Se a gente não adotar uma medida cautelar e de ampla prevenção vamos chegar ao final de 2014 com uma estatística pior que a do ano passado. Além dos assaltos, esse ano já temos registros de agressões a motoristas e cobradores", lamentou.

No início dessa semana a direção do Sintra também já se reuniu com o superintendente da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT/AJU), Nelson Felipe, com o objetivo de esclarecer os problemas exigentes e quanto à possibilidade de, caso uma greve não seja deflagrada, os funcionários das empresas pretendem recolher os veículos a partir das 19h até que a segurança seja de fato ampliada. Questionado sobre os prós e contras dessa atitude, Belarmino concluiu dizendo: "A SMTT teme que a população, chateada com a nossa atitude, passe a depredar os veículos. Justamente por isso estamos enfrentando uma semana de debates para que possamos optar pela melhor alternativa para esse momento. O que não podemos é ficar parado esperando uma solução que não chega nunca".

Até a próxima sexta-feira a cúpula do Sindicato dos Trabalhadores de Transporte vai encaminhar um oficio ao governador de Sergipe, Jackson Barreto, exigindo uma resposta imediata por parte da SSP aos criminosos que andam atormentando a vida dos aracajuanos. Compartilhando com as declarações do sindicalista, a estudante universitária Karla Ferreira disse já ter sido furtada duas vezes em menos de dois anos. "Quero conhecer uma pessoa que nunca foi roubada ou nunca viu um corre – corre aqui no terminal. No nosso transporte público só existem duas pessoas. As que já foram roubadas e as que ainda serão. Isso é a mais pura verdade e bastante preocupante", disse.

O também estudante Everton Costa também disse temer esses assaltos diários e questionou a falta de participação popular por parte dos vereadores que aprovaram no ano passado o aumento da tarifa com a garantia de melhorias. "Cadê as melhorias, senhores vereadores? Os assaltos aumentaram e muito, e aquele discurso todo foi por água abaixo. Quando o povo voltar a invadir e ocupar as ruas não venham com pronunciamentos fajutos. Se vocês acham que estamos esquecidos de quem votou a favor do reajuste, estão muito enganados", afirmou o estudante de ciências da computação que concluiu dizendo: "Esses assaltos vão continuar até o dia que os políticos e gestores da Segurança Pública começarem a tomar vergonha na cara".

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