Milton Alves Júnior
Pleitos opostos, aparências idênticas. Faltando menos de 48 horas para o segundo turno das eleições deste ano, o JORNAL DO DIA voltou a conversar pessoalmente com o candidato ao governo de Sergipe Rogério Carvalho (PT). Mantendo um olhar sempre firme e sereno, Rogério fez uma análise geral deste pleito democrático, fortaleceu as promessas de avanço unificado do estado de Sergipe e do Brasil com Lula presidente, bem como lamentou a avalanche de notícias falsas [Fake News], e a explosão dos casos envolvendo assédio eleitoral.
JORNAL DO DIA – Conversamos na sexta-feira que antecedeu o primeiro turno das eleições 2018, e muito estranhou a sua fisionomia. Profissionais da imprensa chegaram a entender aquele semblante devido aos números das pesquisas. Este ano o senhor mantém esse perfil. Se trata de uma nova convicção de sucesso nas urnas?
ROGÉRIO CARVALHO – Eu tenho a minha consciência do esforço que eu fiz, do esforço que o nosso partido fez, o esforço das nossas alianças partidárias e o esforço que a militância fez. Nós ganhamos no primeiro turno, conquistamos e ampliamos bem os apoios já no início deste segundo turno, a nossa campanha ganhou força, adesão, e isso me permite acreditar no povo, e tenho certeza que a população vai saber escolher a melhor neste domingo (30). Espero que votem 13 Lula, votem 13 Rogério, e posso garantir que estou tranquilo. Estou confiante que o Brasil voltará a ser administrado por uma gestão comprometida com os Direitos Humanos, Sociais, Educação, Assistência Social, Meio Ambiente… e aqui em Sergipe não será diferente.
JORNAL DO DIA– É salutar dizer que nenhuma gestão pública somente acumula pontos negativos, bem como é detentora exclusiva de pontos positivos. Caso o senhor seja eleito, há algo de positivo do governo Belivaldo Chagas para manter?
ROGÉRIO CARVALHO – As políticas que estiverem em andamento e forem avaliadas por nossa equipe como fundamentais para garantir a continuidade do funcionamento do estado, elas devem ser preservadas e adequadas ao nosso modo de governar. Trazendo para a referência quanto às pessoas, operadoras do serviço público, o que podemos destacar é que, os trabalhadores contratados, seja por Processo Seletivo Simplificado (PSS), ou por empresas terceirizadas, estas estarão absolutamente protegidas; iremos trabalhar para que elas permaneçam onde estão. Já sobre os cargos comissionados, claro, estes em sua grande maioria iremos agradecer pela participação e serão substituídos pela nova equipe de governo.
JORNAL DO DIA– Diante de uma Alese repleta de parlamentares os quais compõem o agrupamento de Fábio Mitidieri, bem como o prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira, e o senador Laércio Oliveira, como o senhor visualiza esse relacionamento a partir de 2023 caso seja eleito?
ROGÉRIO CARVALHO – Será excelente, assim como sempre desfrutei durante toda a minha participação na política pública. No Senado Federal, por exemplo, posso dizer que tenho um relacionamento pacífico e progressista com parlamentares de outras siglas partidárias. É dever de ofício se relacionar bem, e creio bastante que teremos um diálogo sempre voltado para os interesses do povo. Mesmo aqueles que visivelmente não votaram em mim, temos um compromisso em conjunto com as pautas de interesse do estado de Sergipe. Independentemente da sigla partidária, creio que o espírito de todos seja buscar promover conversas que ajudem a desatar os nós da gestão pública estadual, e, juntos, conquistemos avanços que melhorem a vida dos sergipanos. Sobre essa questão, estou bem tranquilo porque garanto que teremos um relacionamento democrático e com visão de futuro.
JORNAL DO DIA– Este ano tivemos personagens protagonistas no processo eleitoral: Valmir de Francisquinho foi o principal deles. No segundo turno o seu agrupamento conquistou o apoio dele, mesmo diante de inúmeras divergências. Em caso de vitória, é natural compreender que Valmir e Jackson Barreto farão parte da gestão?
ROGÉRIO CARVALHO– Não critico aqueles que agem diferente; não concordo, mas o respeito é uma das principais virtudes do ser humano. O fato é que primeiro precisamos vencer a eleição para depois começar a falar ou idealizar quem vai compor o governo. Entendo que é muito antecipado tratar desse tema, mesmo que envolva pessoas com atuação próxima neste período de campanha eleitoral, seja desde o primeiro turno, ou mesmo neste segundo. Seria arrogante da minha parte, e da parte do nosso grupo, deixar de ir para as ruas para pedir voto e se reunir o mais breve que seja para se discutir isso. Primeiro o povo precisa escolher, depois que isso acontecer, aí sim, é natural que de forma breve a gente dê início aos trabalhos de diálogo com todos. Com a nova identidade eleita pelo povo, vamos analisar aquele que tem perfil, e quais os perfis, para cada área de atuação.
JORNAL DO DIA– Em entrevista ao jornal O GLOBO, na última quinta-feira o candidato Lula declarou que, caso eleito, às 20h deste domingo já estará discutindo a formação do Ministérioo. Em cenário eleitoral parecido, é possível que Rogério siga a postura do Lula?
ROGÉRIO CARVALHO– No final do domingo a gente vai estar na praça, cercado pelo povo, comemorando a nossa vitória. O companheiro Lula possui um pique inigualável para a idade, pressão psicológica e corporal, ele realmente não para. Em momentos menos agitado, fora da agenda eleitoral, ele e a esposa (Janja) costumam dizer que mesmo quando está dormindo, a sua mente não para de trabalhar. Sou um verdadeiro fã do nosso presidente Lula, mas não vou seguir esse movimento depois da apuração. Vou preferir comemorar na Avenida Barão de Maruim, com os eleitores que confiaram e apostaram no nosso projeto, e, quem sabe a partir da segunda-feira pela manhã [dia 31 de outubro], a gente comece a discutir secretariado e órgãos do segundo escalão. Depois de agenda intensa, o meu primeiro passo será festejar com os sergipanos.
JORNAL DO DIA– Qual a avaliação que o senhor faz deste período eleitoral em Sergipe, bem como a expectativa de o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva voltar a ocupar o Palácio da Alvorada, em Brasília?
ROGÉRIO CARVALHO– Faço um balanço extremamente positivo naquilo que se refere à nossa campanha junto ao eleitor, mas faço algumas ressalvas sobre casos de assédios políticos nestas eleições. Infelizmente tivemos um aumento substancial, cruel para a nossa democracia como um todo, e avalio que os órgãos de fiscalização e punição poderiam ter adotado uma postura mais enérgica. Apesar destes aspectos negativos e pontuais, ao fim a gente acredita que o resultado da eleição será positivo aqui em Sergipe com Rogério, e no Brasil com Lula, e tenham certeza que a partir de janeiro do próximo ano vamos governar o nosso estado de uma forma muito melhor daquilo que assistimos hoje.


