Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos
Na última tarde e noite do dia 24 de outubro, nas dependências do Arquivo Público Estadual de Sergipe (APES), tive a grata satisfação de dividir uma mesa redonda com o colega da Universidade Federal de Sergipe, o Prof. Dr. Dênio Azevedo, e com a diretora da instituição anfitriã, a Prof. Msc. Sayonara Rodrigues do Nascimento Santana, que com muita competência vem administrado aquela casa. Na ocasião, conversamos sobre o tema “A Sergipanidade no Bicentenário de Independência do Brasil”.
Naquele mesmo dia, mais cedo, o APES promoveu uma atividade cultural “o que nos torna sergipanos?”, com a presença de uma representação de alunos e professores da Escola Estadual Francisco de Souza Porto e o Colégio Estadual padre Gaspar Lourenço. Uma dinamização com Ackley Santiago, Isaac Galvão e os estagiários o arquivo, abrilhantada pela apresentação musical de LuisFontinelli, interpretando clássicos da música sergipana, tais como: “Sergipe, o meu lugar” (de sua autoria); “Viver Aracaju” (Ismar Barreto); “Cheiro da Terra” (Cláudio Miguel); “Aracaju” (Irmão); “Ruas de Ará” (Paulo Lobo); “Aracaju, o lugar” (Cícero Farias); “Canção da cidade” (Neu Fontes e Jorge Lins); “Chamego só” (Rogério Cardoso). Como bem ressaltou o professor Dênio, verdadeiros hinos de Sergipe, já que ninguém sabe cantar o oficial.
Prestigiando a nossa fala, os estagiários e alguns funcionário do APES, além de Ackley Santiago e Isaac Galvão, como também a professora Simone Paixão Rodrigues, Doutora e Mestre em Educação pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), com quem já tive a oportunidade de trabalhar. Foi um momento muito leve, onde não faltaram também colocações profundas, tanto ao nível histórico, como também ao nível sociológico, onde pudemos discorrer sobre identidades, alteridades, sentimento de pertença, entre outros conceitos caros quando o assunto é Sergipanidade.
Como sabemos, o Dia da Sergipanidade é uma efeméride recente, regularizado em duas ocasiões: ano 2000, com a alteração do artigo 47 da Constituição Sergipana, oficializando o 8 de julho como sendo o Dia da Emancipação Política de Sergipe, e o 24 de outubro dedicado à Sergipanidade; mais tarde, em 2019, com a Lei 8601 que sacramenta, em definitivo, a data celebrativa.
Fiquei muito feliz com o evento, de modo particular em conhecer um pouco mais e com mais detalhes o trabalho do Prof. Dr. Dênio Santos Azevedo, Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Culturas Populares da Universidade Federal de Sergipe, o qual vem dinamizando, inovando e ressignificiando a maneira de formar seus alunos. Professor Adjunto do Departamento de Turismo da UFS, Dênio há algum tempo vem discutindo o tema da mesa do evento e abrindo novas perspectivas.
Em artigo para o portal Sergipe Tradetour, ela apresenta algumas considerações muito importantes e pertinentes sobre o tema para o tempo presente:
A Sergipanidade é um sentimento de pertença a Sergipe. Por ser um sentimento, é algo difícil de explicar, pois é algo intangível e dinâmico. As construções identitárias são variadas e as percepções também são distintas. (…) A valorização do eu sergipano, a diferença com o outro, o não sergipano e a percepção dos diferentes sergipanos, geraram Sergipanidades. As marcas das Sergipanidades são infinitas e renováveis, mas alimentam os diferentes álbuns contidos na memória individual e/ou coletiva.
Ao final do evento, adquiri com o Prof. Dênio um exemplar do livro que ele produziu com Chiquinho de Além Mar, escritor cordelista, professor, compositor e músico Aracajuano. Trata-se de um opúsculo poético, em forma de cordel, contendo de Cláudia Nen, Felipe Almeida, Edidelson Silva, Rita Oswald, Fábio Sampaio e Magela Filho, além de textos complementares de Ruth Sales Gama de Andrade, Thiago Paulino e do próprio Dênio, e o prefácio assinado por Hermany Donato de Moura. Um primoroso trabalho editorial, que aos poucos está alcançando os bancos escolares de Sergipe, onde o sentimento de Sergipanidade deve ser plantado, cultivado e colhido.


