Milton Alves Júnior
Protagonista do maior cenário antagônico destas eleições 2022 em Sergipe, Valmir de Francisquinho (PL), é o entrevistado especial do JORNAL DO DIA deste final de semana. Enquanto acumula apoio popular e lidera todas as pesquisas de intenções de voto, o itabaianense é o recordista de derrotas no âmbito jurídico. Mesmo com a respectiva candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Francisquinho segue nas ruas pedindo voto enquanto sua assessoria jurídica corre contra o tempo a fim de reverter todas as decisões negativas acumuladas até o momento. Indeferido pela Corte Eleitoral, mas ainda persistente candidato, Valmir de Francisquinho conversou com o JD e apresentou as suas propostas capazes de impulsionar o progresso do estado de Sergipe.
JORNAL DO DIA – Desde o início do pleito eleitoral deste ano a sua candidatura se deparava com indícios de ser indeferida. No último dia 08 de setembro, por unanimidade, o TRE votou contra o registro. Porquê insistir na campanha, mesmo diante do desfalque, inclusive, de lideranças que oficializaram passar a apoiar o seu concorrente Fábio Mitidieri?
VALMIR DE FRANCISQUINHO – Não se trata de insistência. Se trata de garantir cidadania e democracia, de permitir que o povo sergipano tenha o direito de votar em quem deseja para governador. Vale lembrar que Valmir não é o primeiro e nem será o último a ser candidato sub judice. Nesse pleito mesmo temos Rogério Carvalho que concorreu sub judice, se elegeu e tomou posse. O presidente da Alese está há 8 anos se mantendo com uma liminar. E porque com Valmir, que é processado por usar uma cor azul em prédios públicos, teria que ser diferente? Quanto as lideranças, o número daquelas que conversam comigo, mas estão em silêncio por conta das perseguições do atual governo, é que realmente chama a atenção. Mas o dia 2 de outubro está chegando e tudo ficará as claras.
JORNAL DO DIA- Ao longo das últimas duas semanas eleitores observaram uma aproximação do senhor com o também candidato Alessandro Vieira (PSDB). Há possibilidade de, até o dia 02 de outubro, o PL desistir da chapa majoritária e apoiar o líder tucano?
VALMIR DE FRANCISQUINHO- Isso não procede. Ao longo das últimas semanas o que tem acontecido é uma aproximação de Alessandro com os meus adversários Fábio e Rogério. Todos com essa ladainha, essa fake news de que eu não posso ser candidato. Se eu não pudesse, se fosse proibido, nem essa entrevista aqui estaria acontecendo. Então, na verdade Alessandro tem se aproximado é dos algozes da minha candidatura e, por consequência, daqueles que querem impedir o povo sergipano se manifestar livremente.
JORNAL DO DIA- Profissionais da educação pública de Sergipe são parcialmente críticos ao ensino integral, protestam contra medidas administrativas recém adotadas pelo governo do estado, bem como reclamam das estruturas escolares. Caso seja eleito, como o senhor pretende resolver estas situações?
VALMIR DE FRANCISQUINHO- Começando pelas estruturas escolares, em Itabaiana reformei todas as escolas, aumentando algumas delas de 4 para 12 salas, construí novas escolas e creches e, na imensa maioria das vezes, sem licitar essas obras, usando a equipe da própria prefeitura. Farei isso no governo, pois barateia demais as obras e acelera o processo de recuperação dos espaços educacionais. Em relação as medidas administrativas e ao ensino integral, o problema é que esse governo de Belivaldo não dialoga com ninguém. E com a educação, então, nem se fala. Se ele não cumpre a obrigação de pagar o Piso Nacional do Magistério, que nós pagaremos, como pode ele exigir mudanças sem discutir com a categoria? Tanto o ensino integral como outras definições para melhorar a nossa educação serão motivos de debates e discussões com os professores, com os pais e com os alunos. Não se governa isolado, é preciso dialogar e é isso que eu sempre fiz e que farei a partir de 1º de janeiro de 2023.
JORNAL DO DIA- O estado de Sergipe ocupa hoje, proporcionalmente, a quarta pior marca de desemprego do país. São 14,9% de sergipanos sem ocupação trabalhista. Esse índice representa 169 mil pessoas em busca de oportunidade. Como será possível mudar essa realidade?
VALMIR DE FRANCISQUINHO- Vou ser bem objetivo: se reabrirmos os matadouros públicos, transformando-os em frigoríficos, iremos reinserir 10 mil pais e mães de família no mercado de trabalho; com a missão que terei de terminar todas as obras paradas e abandonadas em Sergipe, geraremos mais até 50 mil vagas; temos um plano de transformar o governo de Sergipe no primeiro do país a só usar energia limpa e renovável, além de incentivos para atrair empresas fabricantes desses insumos da indústria fotovoltáica e eólica, com a possibilidade de gerarmos mais 30 mil vagas. Petróleo e gás com total apoio do governo pode gerar até 60 mil empregos. Enfim, vamos trabalhar essas frentes todas de forma concomitante e, em 2026, nas próximas eleições, esse debate nem ocorrerá. E digo isso porque, em Itabaiana, através da seriedade da gestão, dos pagamentos em dia, da desburocratização, foram abertas quase 2.300 empresas em oito anos e elas geraram 10 mil empregos diretos. Itabaiana vive o pleno emprego e Sergipe, no governo de Valmir, também será conhecido como o estado do pleno emprego.
JORNAL DO DIA- Há décadas dois grandes problemas seguem impactando a vida de milhares de sergipanos. São eles: as condições das estradas estaduais e rodovias federais, bem como o setor do turismo. Obtendo êxito nas urnas, qual a sua perspectiva para estes dois segmentos?
VALMIR DE FRANCISQUINHO- Estradas estaduais resolveremos com a aquisição de 5 usinas de asfalto que serão instaladas em 5 macroregiões. Aí teremos a manutenção contínua e a construção de novas rodovias. As federais, podem ter certeza: vou brigar pesado em Brasília e vamos, finalmente, terminar a duplicação da BR 101 e iniciar a duplicação da BR 235. No turismo, além de ouvir o setor e torná-lo parceiro das nossas ações, vamos incentivar o turismo solidário. Já fiz isso em Itabaiana, no povoado Carrilho, aonde tem a cooperativa da produção de castanha. A prefeitura entrou com toda a infraestrutura, a comunidade seguiu fazendo o seu trabalho, e hoje o Carrilho é um dos povoados mais visitados de Sergipe por quem vai comprar castanha e também conhecer esse lugar tão especial de nossa cidade. Vamos repetir esse modelo de turismo solidário em todo o estado.
JORNAL DO DIA- Caso as pesquisas se confirmem – e o poder judiciário eleitoral reverta sua situação-, serão eleitos Valmir de Francisquinho governador de Sergipe, e Lula presidente da República. Defensor e apoiador de Jair Bolsonaro, como o senhor pretende estreitar laços com o governo federal a partir de janeiro de 2023?
VALMIR DE FRANCISQUINHO- Olha, governei Itabaiana por 8 anos, passando pelo saudoso Marcelo Deda, por Jackson Barreto e por Belivaldo Chagas como governadores. Tem um episódio lá atrás que, no início do meu primeiro mandato, em 2013, pedi a Deda algumas carradas de asfalto para fazer uma operação tapa-buracos por conta das festas de Santo Antônio, nosso padroeiro. Deda autorizou, mas teve que se ausentar por conta de tratamento de saúde. E Jackson, que assumiu, a pedido de nossos adversários locais, que são aliados dele, cancelou a entrega dessas carradas de asfalto. Não sou de ficar chorando, comprei o asfalto, fiz a operação tapa-buracos e, com muitos esforços, comprei depois, com recursos próprios, uma usina de asfalto. Aliás, é a única usina pública nos municípios sergipanos todos. Não tenho problema em trabalhar e buscar soluções para melhorar a vida o povo. E não acredito nessa historinha de que é preciso estar “casadinho” com o presidente para poder governar. Isso é conversa de gente incompetente ou preguiçosa. Por exemplo: Deda era aliado de Lula, Jackson era aliado de Dilma e a duplicação da BR 101 continua essa barbaridade que todos nós vemos. Agora, é preciso lembrar que sou partidário e voto em quem meu partido apoiar. Foi assim quando eu era do PSB, naquele tempo votando em Lula, quando vim para o PL, que apoiou Dilma duas vezes e eu votei, que apoiou Alckmin em 2018, no primeiro turno, e eu votei, e quando apoiou Bolsonaro no segundo turno e eu votei. Esse ano o presidente Bolsonaro veio para o PL e eu votarei nele, sem nenhum problema. Sou fiel aos princípios partidário, ainda que a maioria dos políticos não seja. Mas cada um faz o que achar mais correto.

