Hospital de Lagarto sofre intervenção ética

No último mês de julho essas críticas já haviam sido debatidas junto ao Ministério Público Federal (MPF), por intermédio da procuradora da República, Aldirla Albuquerque.

Milton Alves Júnior

Por tempo indeterminado, todas as assistências médicas voltadas para as áreas de clínica médica, e pediatria, do Hospital Regional de Lagarto (HRL), estão suspensas. A interdição aconteceu no início da manhã de ontem pelo Conselho Regional de Medicina de Sergipe (Cremese), após a entidade de classe ter recebido sucessivas denúncias alegando falta de escala profissional, sobrecarga trabalhista, estrutura inferior à demanda, bem como superlotação rotineira. No último mês de julho essas críticas já haviam sido debatidas junto ao Ministério Público Federal (MPF), por intermédio da procuradora da República, Aldirla Albuquerque. O encontro recebeu ainda a presença de representantes do Conselho Regional de Enfermagem em Sergipe (Coren/SE), e do Conselho Regional de Medicina do Estado de Sergipe (Cremese).
A audiência unificada aconteceu dias após peritos do MPF terem realizado uma inspeção da unidade hospitalar e ter constatado procedente o teor das denúncias. Na ocasião, o superintendente do HUL, Manoel Luiz de Cerqueira, alegou que as dificuldades enfrentadas têm relação direta com o número insuficiente de profissionais para o devido atendimento ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já em audiência foi dito pelo gestor que, em virtude da ausência de orçamento para a liberação de vagas pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), foi necessário buscar apoio imediato junto ao governo federal e da Secretaria de Estado da Saúde (SES), mas até aquele momento não havia obtido êxito.
Logo após a interdição ter sido oficializada pelo Conselho, o coordenador do setor de Fiscalização, Alexandre Dantas, enalteceu que a ação se fez necessária em virtude das condições enfrentadas pelos usuários do sistema público de saúde. A interdição deve ser suspensa assim que os problemas apresentados forem solucionados – mesmo que de forma inicialmente paliativa. “Há vários meses recebemos denúncias de colegas médicos em relação a falta de escala, sobrecarga, superlotação, fomos fazer fiscalizações e encontramos um cenário muito preocupante. O hospital está sempre lotado, os corredores da área azul sempre cheios, o eixo crítico das áreas amarela e vermelhas sempre lotado com pacientes nos corredores desses setores e déficit na escala”, destacou.

Contraponto – Após a interdição, por meio de nota pública, a direção da EBSERH informou que recebeu com surpresa a decisão de interdição ética da atividade médica do hospital e anunciou que o hospital ajuizará na Justiça Federal uma ação cautelar com pedido de tutela de urgência, buscando reverter a ação. O intuito da unidade hospitalar é manter a continuidade dos serviços prestados para não ocasionar nenhuma desassistência à população que tem o HUL-UFS como referência para suas necessidades de saúde e atendimento, ou prejuízos aos alunos que têm o hospital como base de ensino e formação. Neste mês a unidade passou a contar com o reforço de 12 médicos clínicos, 20 técnicos de enfermagem, 11 enfermeiros, cinco pediatras, dois cirurgiões e um clínico geral.
Em agosto, também foram contratados um biomédico, dois fisioterapeutas, um cirurgião geral, um ortopedista, um pediatra, quatro técnicos de enfermagem e cinco médicos para atuação no pronto socorro do hospital. “Ainda é importante mencionar que o HUL, como unidade hospitalar de Urgência e Emergência e Hospital Universitário Federal, faz parte da Rede de Atenção à Saúde de Sergipe, não podendo ser único responsável pela totalidade dos atendimentos da região. É fundamental também a oferta de serviços de saúde locais através da atenção primária, como UPAs, UBS e demais estruturas de atendimento básico visando desafogar a unidade hospitalar”, destacou o Conselho Regional de Medicina.

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