Estudantes cobram segurança dentro e fora das escolas

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Sem fiscalização ostensiva, estudantes da rede estadual clamam por contratação de vigilantes e reforço da Polícia Militar nas intermediações das unidades de ensino. O pleito foi apresentado na manhã de ontem pelos grêmios estudantis após o Colégio Estadual Professor Paulo Freire, no bairro Industrial, ter sido alvo dos marginais pela terceira vez em menos de dez meses. Esta mobilização dos colegiais tem como propósito pressionar o governador Jackson Barreto e o secretário de educação, Jorge Carvalho do Nascimento, para que de forma definitiva e imediata resolvam a ausência de segurança dentro e fora das escolas.
No último episódio preocupante registrado na Paulo Freire, três meliantes uniformizados com os trajes da instituição tiveram acesso fácil às salas de aula, onde renderam os jovens e subtraíram os respectivos pertences. Não se sabe ainda a quantidade de objetos roubados no arrastão, nem qual o valor adquirido pelo bando. Imagens de câmeras instaladas em estabelecimentos comerciais, além dos detalhes apresentados pelas vítimas tentam ajudar a polícia a identificar os acusados e chegar até eles. Até o momento não está descartada a possibilidade de facilitação por parte de alunos que supostamente estariam repassando informações precisas quanto ao movimento interno e as principais vias de fuga caso fossem surpreendidos durante a ação criminosa.
Ontem o diretor do colégio, Marco Aurélio Silva Oliveira, transitou pelas salas de aula a fim de tranquilizar os estudantes que se mostram temerosos com a possibilidade de novas invasões seguidas de arrastões. Segundo o educador, o acesso dos meliantes foi facilitado devido ao início das atividades terem acontecido na semana passada. "Não temos como saber a fundo quais são os novos alunos, e por isso, principalmente por eles estarem muito bem fardados, ninguém imaginou que poderia se tratar de assaltantes. O momento delicado já passou, agora é trabalhar para atender ao pedido dos alunos e evitar a recorrência desse fato lamentável", afirmou.
Ainda sobre a ocorrência, Marco Aurélio reconheceu a fragilidade do sistema de segurança diante da greve permanente realizada pelos servidores públicos do estado. De braços cruzados há mais de dois meses, os vigias não estão comparecendo às escolas e os três acusados teriam aproveitado essa instabilidade operacional para adentrar na instituição. "Na realidade trata-se de um conjunto de fatores que favoreceu as pessoas de má índole. Outra questão se refere à mudança de nome da escola que antes se chamava Colégio Presidente Castelo Branco. Agora, com novo nome, muitos estudantes não adquiriram a farda nova e nós estamos liberando o acesso com o uniforme anterior. Pedimos o apoio de todos para chegar aos acusados", pontuou.
As Secretarias de Estado da Educação e da Segurança Pública declaram que todos os estudantes e/ou responsáveis que possuem algum tipo de informação que ajudem na investigação da SSP, estes terão a identidade devidamente preservada. A sugestão por parte da direção escolar é que todos os estudantes permaneçam em silêncio, sem conceder entrevista para a imprensa a fim de evitar possíveis retaliações por parte dos marginais que podem estar monitorando todas as ações administrativas do governo após a invasão.

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