A constante exposição de servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) a assaltos e outras práticas de violência levou a categoria a suspender ontem as atividades no município de Riachuelo, distante 29 Km da capital, para cobrar mais segurança durante o exercício do trabalho.
Na tarde da última sexta-feira, 4, a base do Samu de Riachuelo foi invadida por assaltantes armados que trancaram os funcionários dentro do banheiro. As vítimas arrombaram a porta e pediram socorro para a base do Samu de Aracaju.
A ação dos assaltantes provocou pânico entre os trabalhadores, que tiveram vários objetos e documentos pessoais roubados. O veículo de um condutor da base também foi levado e recuperado no dia seguinte pela polícia.
Os assaltantes, aparentando cerca de 20 anos de idade, pularam o portão da base, que tem cerca de três metros de altura, e ameaçaram a equipe de atendimento, promovendo um quebra-quebra na unidade.
A situação de assaltos às bases do Samu é considerada crítica pelo presidente do Sindicato dos Condutores de Ambulância de Saúde (Sindconam), Adilson Ferreira Melo. Ele relata que este tipo da prática de violência se tornou frequente. Segundo ele, a situação pirou quando os vigilantes foram retirados das bases para cortar despesas. "Sergipe tem 50 bases do Samu e menos de 20 possui o serviço de empresa de segurança", afirma.
Ainda de acordo com Adilson Ferreira, somente em Propriá a base já foi assaltada três vezes. Além de Propriá, ele cita que cidades como Porto da Folha, Poço Verde, Itaporanga D’Ajuda, Barra dos Coqueiros, Pirambu e Rosário do Catete são algumas das bases que estão sem segurança. "As bases de Laranjeiras e Itabaianinha estão fechadas por causa da falta de segurança", revela.
A categoria planeja entrar com uma ação contra o Estado cobrando providências. Adilson Ferreira relata algumas das situações já registradas em bases do Samu do Estado. Em Socorro, ele conta que foram registradas três invasões e no Santa Maria três arrombamentos.
Um dos casos mais críticos ocorreu no mês passado, quando a ambulância da base de Poço Verde foi perseguida por um carro. Os homens invadiram o veiculo para terminar a execução de uma vítima de tentativa de homicídio.
Ontem, com o fechamento da unidade, o atendimento foi transferido. "Toda a equipe está trabalhando na unidade de Nossa Senhora do Socorro e as ambulâncias saem de lá", esclareceu Adilson Ferreira.
Durante o período da tarde, a categoria teve reunião com a Fundação Hospitalar de Saúde, sobre a segurança nas unidades e outras pautas incluindo as negociações salariais que ainda não foram cumpridas. "O dissídio coletivo da categoria saiu em setembro, o reajuste salarial de 12,78% deveria ser pago em outubro e ainda não se tem proposta de alinhamento salarial. Nada foi cumprido", reclama Adilson.
De acordo com informações divulgadas pela superintendência do Samu, a questão de segurança nas bases é uma das pautas que o governo vem tratando dentro do processo de reestruturação do serviço.


