Milton Alves Júnior
No Dia dos Médicos, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), em Aracaju, ficaram sem assistência especializada. No início da manhã de ontem, durante as críticas apresentadas pela população, o Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe informou que a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, havia sido comunicada, inclusive de forma previa, que a categoria não cumpriria expediente em virtude de participar de atividades alusivas à data comemorativa. Em contraponto, a administração da capital garantiu que não concedeu ponto facultativo aos médicos, e, diante disso, a ausência dos profissionais foi avaliada ação negativa ao prejudicar milhares de pacientes.
Conforme números apresentados pela própria SMS ao Jornal do Dia, diariamente cerca de cinco mil pessoas se dirigem aos postos de saúde em busca de atendimento. Enquanto parabenizava a classe pelo respectivo dia, a PMA não deixou de declarar que a opção de não se dirigir aos pontos de assistência pública é de responsabilidade de cada médico contratado. Para a secretária doméstica Helena dos Santos, paralelo aos prejuízos causados contra a saúde das pessoas, a falta de atendimento resultou em mais um dia perdido de trabalho; ou seja, sem prontuário de atendimento ontem, todos os aracajuanos dependentes do sistema necessitarão perder outro dia de prestação de serviços.
"Meus patrões felizmente são tranquilos e permitiram que eu remarque a consulta, mas vamos pensar no próximo, e aquelas pessoas que não têm tanta facilidade para deixar os filhos com os vizinhos, parentes, ou mesmo não possuem mais a oportunidade de faltar ao emprego para cuidar da saúde, como ficam? Vai ficar por isso mesmo é o pobre é quem volta a sofrer com o SUS", avaliou. Na tentativa de minimizar os efeitos negativos gerados pela ausência médica, a prefeitura informou que estará realizando a remarcação de todos os prontuários. Esse procedimento ocorrerá de acordo com a disponibilidade de paca paciente.
Também revoltado com o ocorrido, José Evangelista, de 52 anos, lamentou a falta de assistência nas unidades básicas de saúde. De acordo com o contribuinte, é preciso que os órgãos de fiscalização analisem o ocorrido e punam os responsáveis. "Agindo assim será possível evitar que este tipo de situação ocorra nos próximos anos com os médicos, e vire moda com as demais áreas da saúde. Infelizmente pagamos impostos altíssimos para chegar em um momento de necessidade assistencial e não contar. Peço apuração imediata e que se penalize cada um que nos fez voltar para casa sem atendimento", criticou. Na tarde de ontem a PMA, e o sindicato não voltaram a falar sobre o assunto.


