Fim do defeso reduz preços nos mercados

Milton Alves
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

A manhã de ontem foi de amplo movimento no setor de pescados do Mercado Municipal Albano Franco, em Aracaju. Conforme regulamentado pela Instrução Normativa Ibama nº189 de 2008, hoje é o último dia para o defeso de crustáceos em todo o litoral brasileiro, mas nas primeiras horas deste sábado já era possível se deparar com dezenas de comerciantes em posse do alimento. Somente a partir de amanhã os barcos de pesca devem voltar a atuar normalmente. Eles estarão liberados para as atividades de captura, conservação, beneficiamento, comercialização ou industrialização do camarão rosa, camarão sete-barbas e camarão branco. Os feirantes que apresentavam grande quantidade para venda alegaram ser camarões e caranguejos de viveiros.

Sem se mostrar preocupada com possíveis punições a serem ajuizadas por fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a vendedora Aline Nascimento garantiu que a atividade é considerada normal e legal. "Como está acabando o defeso, a gente tenta vender o que ficou nos frigoríficos. Como estão chegando novas remessas de camarão, caranguejo e siri, a gente traz tudo pra cá e baixa um pouco o preço. Com o valor mais em conta e a qualidade do alimento garantida, já era esperado que o mercado aqui ficasse assim, cheio de gente e com as bancas com grande quantidade de marisco", declarou a comerciante que atua no mercado central há mais de 15 anos.

Normas nacionais garantem que, caso o vendedor seja flagrado descumprimento o defeso, este pode ser punido com multas que variam entre R$ 700 e R$ 100 mil, acrescida de R$ 20, por quilo do pescado. O receio de ser duramente processado faz com que os vendedores busquem seguir as regras exigidas. Paralelo à multa, a possibilidade de perder o direito ao auxílio defeso também contribui para evitar a clandestinidade. "Quem quiser pode vir aqui fiscalizar que não vai encontrar nenhuma irregularidade. Ao menos falo por mim, minha filha e alguns amigos. Ninguém é doido em tentar não cumprir essa ordem do Ibama. O local está cheio por causa do preço bom mesmo", afirmou Ana Luíza Nascimento.

Com os preços em queda, nesse final de semana era possível encontrar a corda do caranguejo por até R$ 6. Na aquisição de duas a corda sairia a R$ 5. Já o quilo do camarão era comercializado em média por R$ 15, a depender do tamanho e condição nutritiva. O preço do camarão pistola sem cabeça era facilmente encontrado por R$ 28. "Os preços estão bons. Eu, que gosto e preparo muita refeição com camarão, ficaria eternamente feliz se todo final de semana os preços fossem esses, mas assim só encontro nos finais de defeso mesmo", afirmou Marilene Cardoso, dona de uma empresa que fornece marmitas e quentinhas.

Compartilhe esta notícia