Médicos do município entram em greve

Cerca de 400 médicos da rede municipal de saúde cruzam os braços por 48h a partir das 7h desta segunda-feira, 01 de junho. A paralisação, que foi aprovada pela categoria durante reuniões coordenadas pelo Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), tem por objetivo pressionar o prefeito João Alves Filho (DEM) para que ele possa atender ao pedido de reajuste salarial, ou abrir dialogo junto à categoria a fim de apresentar contrapropostas. Até a manhã de ontem nenhuma resposta que satisfizesse os profissionais de medicina foi apresentada pela administração municipal. Cientes da importância trabalhista para o bem coletivo, os médicos cruzam os braços para os serviços gerais, com exceção de atendimentos com caráter de urgência ou emergência.

Conforme dados apresentados semanalmente pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), os dois primeiros dias úteis da semana costumam ser de maior movimento por parte dos pacientes que recebem assistência do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa paralisação ocorre justamente neste período considerado crítico pelo governo João, e deve resultar em mais de cinco mil pessoas sem atendimento. Visivelmente insatisfeitos com a falta de diálogo por parte do prefeito e seus subordinados secretários, já às 8h dessa segunda-feira os médicos voltam a se reunir em assembleia extraordinária a fim de decidir se interrompem a paralisação, ou a transforma em greve geral e por tempo indeterminado. A proposta de reajuste salarial foi apresentada em tempo hábil, segundo a direção do Sindimed.

Paralelo à falta de negociação junto à Campanha Salarial 2015, as precárias condições de trabalho têm ampliado, ainda mais, as lamentações dos médicos e demais servidores públicos que atuam no âmbito da saúde municipal. A constante falta de medicamentos, macas e demais utensílios básicos de trabalho diário como luvas, máscaras, esparadrapos, gazes e ataduras contribuíram diretamente para que as lamentações dos profissionais resultassem em paralisação. Em depoimento exclusivo e revelador concedido pelo médico Luiz Carlos Spina ao Jornal do Dia, a categoria, que já encontrava-se insatisfeita com o prefeito, na manhã de ontem voltou a intensificar as críticas em decorrência de um possível atraso salarial. O pagamento deveria ser realizado até a noite da última sexta-feira, 29.

"A paralisação está confirmada justamente por problemas na comunicação entre o sindicato que se mostra disposto a dialogar com o prefeito; e a prefeitura que infelizmente não nos apresenta nenhum sinal de interesse em discutir o assunto. Esse atraso salarial mostra que a prefeitura não está preocupada com o nosso ato, por isso, a partir desta segunda os médicos da Prefeitura de Aracaju estarão com os serviços suspensos", declarou. Conforme avaliação do sindicato, diante deste conjunto de problemas diagnosticados pelos médicos, a possibilidade de greve estendida é grande. Esta ação assusta os aracajuanos que dependem do sistema público, mas o Sindimed garante que a categoria vai respeitar a porcentagem mínima de 30% exigida por lei para os serviços considerados essenciais.

Ainda de acordo com Spina, a própria população entende a defasagem da saúde pública municipal, e, mesmo com a paralisação da categoria e geração de problemas, os pacientes apoiam o movimento e torcem para que esta paralisação possa resultar em benefícios não apenas para os médicos, mas também para todos os brasileiros que venham a necessitar de atendimento na capital sergipana. "Contamos com o apoio de todas as categorias que trabalham na saúde municipal, e principalmente dos pacientes que também se mostram insatisfeitos com as péssimas condições de atendimento. Se até o final da assembleia nenhuma resposta positiva por parte do prefeito João for apresentada, a paralisação tende a transformar em greve", avisou.

PMA – Em nota oficial a Secretaria Municipal de Saúde informou que: "Diante da possibilidade de paralisação de 48h, anunciada pelo Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed-SE) dos profissionais da rede municipal, a Saúde de Aracaju informa que as Unidades de Saúde da Família (USF) estarão abertas normalmente nos dias 1º e 2 de junho. A secretaria explica que, além de consultas médicas, outros serviços são ofertados pela Rede de Atenção Primária (Reap), a exemplo de aplicação de vacinas, curativos, aferição de pressão, marcação de exames e consultas especializadas", informou.
Além disso, a prefeitura garantiu também que existem médicos contratados que estarão atendendo à população nas unidades onde estão lotados. "Também teremos a retaguarda das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da Zona Sul e Zona Norte", informa Gildete Maria Ávila, diretora de Atenção à Saúde. A assembleia da categoria ocorre na sede do Sindicato dos Médicos de Sergipe, que fica localizada na Rua Celso Oliva, Nº 481, Bairro 13 de Julho, em Aracaju.

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