Juntas, todas as empresas cujos executivos foram parar no xilindró da PF devem contribuir com algo em torno 15 % do nosso Produto Nacional Bruto, o tão falado PIB.
Não se trata apenas de um número expressivo, trata-se de um número assombroso.
O Brasil tem dessas peculiaridades. Definido como o país da impunidade, estamos a bater recordes no quesito descoberta e apuração de ilícitos.
Se chegaremos ao término de tudo com punições, é outra questão que depende da leniência das leis brasileiras, feitas por uma turma que não deixa de se precaver, amenizando os rigores que um dia sobre si mesmo poderão desabar.
Em todo caso há instituições que agem e produzem resultados, como a Polícia Federal o Ministério Público e a Controladoria Geral da União.
O simples fato de homens com alvíssimos colarinhos brancos irem dormir sobre o colchonete de uma carceragem lotada, já é por si só suficiente para causar enorme susto naqueles que agiam com absoluta certeza de que jamais seriam alcançados.
Nem durante os frenéticos e sangrentos dias da revolução bolchevique, na Rússia, tantos magnatas foram parar na cadeia. Mas isso não terá nenhum efeito regenerador da decomposição de caráter que há muito tempo corrói sistemicamente as nossas instituições se, depois de tudo, não surgirem mecanismos preventivos eficientes que possam evitar que dentro de uma empresa como a Petrobrás, por exemplo, se instale e opere descontroladamente um aparelho de sucção que tornou possível um gerente acumular fortuna tão volumosa que o torna capaz de oferecer-se para devolver 250 milhões de reais em troca do abrandamento da sua pena.
Fica-se a imaginar como uma empresa tão grande, por muito tempo colocada no pedestal dos orgulhos do povo brasileiro pode se transformar no valhacouto de quadrilheiros. Mas isso é coisa antiga não surgiu agora como muitos estão sendo induzidos a pensar. Fala-se que ainda no regime militar já existiam contas abertas em Luxemburgo onde eram depositadas comissões para dirigentes da empresa.
Já o cartel de mega-empreiteiras, também é assunto velho, exaustivamente sabido.
As empresas não criaram essa situação, apenas se ajustaram para escapar de uma burocracia que é eminentemente burra. A propina tornou-se o ritual indispensável para o amaciamento das exigências burocráticas, para a saciedade da cupidez de alguns e o atendimento às demandas da classe política controlando os cordéis do poder, e não subsistindo se o ¨ caixa de campanha¨ não estiver recheado. O ¨caixa de campanha ¨ é, aliás, pretexto maroto para o enriquecimento pessoal.
Apesar de tantas prisões e de tanto escândalo, depois, tudo continuará como antes se a sociedade, toda ela , do mais remoto pé de pau até a Avenida Paulista permanecer assim como está: hipocritamente condenando e sempre disposta a engajar-se na partilha das vantagens oriundas daquilo que tanto amaldiçoam , da boca para fora.
Depois, como acreditar que os hábitos irão mudar, que a lei ficará acima das circunstancias, das imponências , das excelências, se, pelo menos em Brasília, da Praça dos 3 Poderes aos buracos do Gama, tanto se comenta, à boca miúda ou em vozes bem ouvidas, que há, no S.T. F ministros que nunca se afastaram dos escritórios de advocacia?

