Kátia Azevedo
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A Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) informou ontem que já adotou medidas imediatas para apurar e reparar os prejuízos causados pelo esquema de desvio de materiais hospitalares em hospitais públicos administrados pelo órgão. O esquema foi descoberto anteontem, quando cinco envolvidos foram presos por policiais civis da 2ª Delegacia Metropolitana (Getúlio Vargas). Uma das medidas é a abertura de inquérito administrativo para apurar como a FHS comprou as cargas de luvas, seringas e máscaras fornecidas pela empresa Lifemed, a qual, segundo a polícia, recebeu os mesmos materiais furtados da Central de Logística da estatal.
O proprietário da Lifemed, Marcelo Santos de Araújo, 32 anos, foi um dos presos na operação da 2ª DM e é apontado nas investigações como o que comprava o material desviado do ex-funcionário da FHS Helber Pereira Mota, 30, em cuja residência foram encontradas algumas caixas das mercadorias. O motorista terceirizado Renisson de Carvalho Santos, 30, e os funcionários temporários Jenilson Lopes dos Santos, 44 anos, e Josuilson José dos Santos, 33, foram denunciados pelo desvio do material entre o almoxarifado e as unidades.
O diretor financeiro e administrativo da FHS, Mário Ferreira, confirmou ontem que a instituição pretende agora averiguar como os produtos repassados pela quadrilha saiam da FHS e em seguida retornavam. "A fundação faz a compra de produtos através de processo licitatório e com nota fiscal de empresas idôneas que são vencedoras no processo. O importante é que a polícia desarticulou a quadrilha e acabou com uma fraude que estava prejudicando a instituição e população", avalia.
Mário disse também que todas as medidas estão sendo tomadas pela assessoria jurídica do órgão. "Estamos tomando medidas imediatas como a suspensão dos contratos temporários. Também vamos aguardar de que forma eles serão citados no processo para que possamos tomar as providências cabíveis. Entraremos com uma ação reparatória para que eles venham a se responsabilizar e devolver aquilo que foi suprimido da FHS", informou.
A FHS ainda não sabe o valor do prejuízo causado com o desvio. Segundo Mário Ferreira, está sendo realizado um inventário dos últimos seis meses para verificar a dimensão do problema. "O inventário será a base para uma posterior ação reparatória que será movida pela FHS. Vamos cobrar na justiça o ressarcimento do prejuízo que essas pessoas causaram à fundação e aos cofres públicos", afirma o diretor, destacando que a Fundação tem todos os itens que são indispensáveis para que tenha um sistema de segurança. "A central de logística da Fundação é cercada de todos os cuidados materiais, técnicos e humanos que coíbem esse tipo de crime, mas sabemos das falhas humanas", resumiu.
O caso – O grupo foi denunciado na segunda-feira, após a direção da FHS ser alertada por uma pessoa que viu dois homens descarregando caixas de produtos hospitalares na casa de Helber. A ação foi fotografada pela testemunha, que entregou as provas à estatal. A partir daí, a polícia descobriu que os desvios foram executados por Jenilson, Josuilson e Renisson, que estavam há apenas um ano em seus cargos. "Já há alguns meses, esses funcionários do almoxarifado, como motoristas, distribuidores, colocavam a mercadoria a mais daquilo que era registrado, deixavam a mercadoria nos hospitais e levavam o que sobrava para receptadores que já as tinham encomendado", explicou o delegado Marcelo Hercos.
As sobras das caixas eram deixadas, conforme a denúncia, na casa do ex-funcionário Helber, que ficava responsável pela revenda da carga para Marcelo e, supostamente, para outros empresários. Na residência, muitos produtos hospitalares pertencentes à FHS, principalmente luvas, foram achados e recuperados. Um caminhão-baú Mercedes-Benz de placa IAG-1118/SE, usado na retirada dos produtos hospitalares, foi igualmente apreendido. Ontem, a Polícia Civil confirmou que um sexto acusado de envolvimento com o esquema criminoso foi identificado e poderá ser preso a qualquer momento, mas sua identidade é mantida sob sigilo. (com Gabriel Damásio)


