Garimpeiro Literário

* Gildeci de Oliveira Leite
Conheci Gilfrancisco pessoalmente em um final de semana de 2001 ou 2002. Certamente, com algum tempo, encontrarei fotografias e outros documentos que poderão registrar com precisão a data. Fui apresentado a ele por meu orientador de mestrado, o doutor Cid Seixas Fraga Filho. Cid me falava das descobertas de Gilfrancisco, de suas contribuições para as literaturas e culturas baianas e sergipanas e, sobretudo, de sua extraordinária capacidade de saber o que procurar. Diante das boas referências, peguei um ônibus de Salvador para Aracaju, rumo à casa do pesquisador. Afinal, não resolveríamos certas questões relacionadas à baianidade apenas com conversas ao telefone.
Ao chegar à casa do garimpeiro literário, fui apresentado a parte de seu arquivo. Uma parcela significativa da residência do professor era ocupada por sua paixão: a literatura. Passei a conhecer documentos fundamentais da memória cultural baiana, muitos dos quais, para mim, se transformariam posteriormente em objetos de estudo. Lemos e folheamos muitas páginas. Foram verdadeiras aulas sobre literatura baiana, que, até hoje, integram meus repertórios de pesquisa, ensino e extensão. Por isso, disse publicamente, em certa ocasião, que Gilfrancisco é um arquivo vivo.
Naquele primeiro encontro, tive a certeza de que a generosidade é uma das marcas desse baiano radicado em Sergipe. Os diálogos e as parcerias em diversas iniciativas acadêmicas e universitárias tiveram início naquele final de semana em Aracaju. Dali por diante, Gilfrancisco passou a integrar nosso grupo de pesquisa CLIC – Crítica Literária e Identidade Cultural, sempre desempenhando um importante papel na tarefa de expor, esculpir e apresentar diamantes e outras pedras preciosas esquecidas em hemerotecas e bibliotecas.
A parceria acadêmica logo se transformou em amizade, e já são mais de vinte anos de estrada. Passei a merecer sua confiança e a ter o privilégio de ler algumas de suas produções antes que se transformassem em livros impressos. Vez por outra, escrevi sobre o que lia e sobre o que escutava, imitando, de certo modo, o exercício de lavrar realizado por nosso faiscador. Assim, trago aqui um bocado de leituras sobre Gilfrancisco que, agora reunidas nesta publicação, constituem uma renovada homenagem ao garimpeiro.
Escrevi sobre um pouco do que Gilfrancisco compôs ao longo de sua trajetória. Apresentei livros, celebrei a concessão do título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Sergipe e destaquei suas habilidades como pesquisador e produtor cultural. Agora, entrego ao leitor este livreto como presente a esse distinto membro de nossa comunidade acadêmica e, ao mesmo tempo, como convite para que conheça um pouco mais de Gilfrancisco, de sua trajetória e de sua contribuição à cultura e à memória literária baiana e sergipana.
* Gildeci de Oliveira Leite é professor da Universidade do Estado da Bahia –  UNEB-SEABRA
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