Garis de Aracaju farão hoje uma paralisação de advertência

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Por 24 horas o sistema de coleta de lixo em Aracaju e em Nossa Senhora do Socorro volta a ser interrompido por falta de entendimento entre a classe trabalhadora e gestores da empresa Torre. Contratada pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), a terceirizada tem se mostrado ‘sem tempo’ para dialogar com os garis e margaridas quanto à campanha salarial 2016. Há mais de três meses tentando dialogar sobre o assunto, a direção do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial de Sergipe (Sindlimp) lamenta a postura da Torre e garante que a mobilização foi necessária para garantir os direitos destinados aos trabalhadores com carteira assinada.

Em comunicado oficial enviado para a direção sindical, a Torre se diz interessada em dialogar com representantes da categoria, desde que na pauta do encontro não esteja o reajuste salarial. Conforme o documento, a empresa não possui nenhum tipo de perspectiva de quando, e onde, estará disponível para dialogar sobre este pleito dos mais de mil funcionários que atuam diariamente na limpeza da cidade. Diante da resposta, a categoria já comunicou o fato à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), e ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Com a paralisação de advertência dos profissionais da limpeza, a previsão é que cerca de 500 toneladas de lixo deixem de ser recolhidas no dia de hoje.

A categoria dos garis e margaridas apoia a ação do sindicato e garante que os diretores são legítimos representantes dos trabalhadores da limpeza pública. "É preciso deixar claro que o presidente Rayvanderson Fernandes tem conquistado grandes avanços na luta árdua por melhores condições de trabalho. Um secretário que mais se apresenta como prefeito, do que propriamente secretário, tenta manchar a imagem dos garis e margaridas, mas o aracajuano tem consciência de quem está certo ou errado nessa discussão. Aracaju nunca esteve tão decadente como nos últimos anos e isso a gente mostra com dados, e não com falácias", declarou Alessandro Santos, membro da assessoria jurídica do Sindlimp.

Sobre a luta pelos direitos, Rayvanderson destacou que desde o mês de dezembro de 2015 os funcionários têm buscado o diálogo com o empresariado e a prefeitura municipal de Aracaju, através da Emsurb para tentar solucionar os problemas que os trabalhadores enfrentam. O representante afirmou também que a população de Aracaju e Nossa Senhora do Socorro devem buscar armazenar os lixos durante a paralisação, que, inicialmente, o que acontecerá no período de um dia. Sobre uma possível greve geral e por tempo indeterminado, ele afirmou que pode dispor essa proposta para a categoria caso não haja avanços nos diálogos até o início da próxima semana.
"Estamos deixando claro aqui que nós estamos sempre dispostos a conversar, mas desde o ano passado a empresa, muito menos a prefeitura se mostram interessadas em sentar para conversar com o cidadão trabalhador. Ao invés de buscar acordo coletivo, ficam indo à imprensa para tentar desqualificar nosso movimento junto à população aracajuana".

Segundo a nota da Torre, "a paralisação é totalmente inoportuna, tendo em vista a atual conjuntura econômica do país, que perpassa estados e municípios. Vale ainda destacar a postura e determinações de outros sindicatos, que optaram por um caminho de mais diálogo e compreensão".
"Lembramos ainda que a data-base da categoria é em março e que o pagamento dos trabalhadores, de acordo com a legislação em vigor, pode ser efetuado até o quinto dia útil de abril. Ou seja, há tempo suficiente para aprofundar as negociações e dar continuidade ao diálogo, na determinação de alcançar um resultado conciliador e justo. Há de se ressaltar ainda que, por força do aumento do salário mínimo, a empresa já reajustou o salário da categoria, garantindo assim que nenhum empregado receba salário menor que o definido em lei".

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