Professor foi vítima de crime passional. Ele tinha caso com namorada de jovem

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Polícia Civil confirmou ontem a prisão de um suspeito pelo assassinato do professor de educação física Filadelfo Brandão de Santana, 44 anos, morto a tiros em 11 de fevereiro deste ano na Avenida Matadouro, bairro Jardim Centenário (zona oeste de Aracaju). José Yuri Souza Cruz, 18, foi detido no começo da noite de ontem em Salgado (Centro-Sul), após ser localizado na casa de parentes. A namorada de Yuri, que não teve o nome não foi revelado, também foi detida no conjunto Parque dos Faróis, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). As prisões temporárias do casal foram decretadas pela Justiça e cumpridas por policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Segundo a polícia, Yuri confessou o crime e atribuiu o motivo a uma relação extraconjugal entre sua namorada e o professor. A delegada Thereza Simony Nunes Silva, responsável pelo caso, explica que a versão foi se confirmando a partir de pistas encontradas no celular de Filadelfo, que levou cerca de seis tiros enquanto estacionava seu carro na avenida. "Coincidentemente, havia no celular da vítima uma comunicação feita no dia do homicídio entre ele e uma mulher, marcando um encontro naquela região. E colhendo outras informações, nossa equipe chegou aos nomes do Yuri e da companheira dele. Havia muitas coincidências, que foram se confirmando no nosso trabalho de campo", disse a delegada, ao revelar que a relação entre o professor e a namorada havia começado em janeiro deste ano, em uma festa na cidade de Itabaiana.
"Yuri descobriu a relação quando pegou o celular da companheira e viu as mensagens que ela trocou com o professor, marcando encontros. A partir daí, ele teve ciúmes dela desconfiou que estava sendo traído. Segundo a companheira do Yuri, ela saiu pelo menos duas vezes com o professor. Não era um relacionamento amoroso, eram apenas encontros sexuais. Eles passaram a se comunicar por mensagens e chegaram a marcar outros encontros que não aconteceram", revelou Thereza.
Em depoimento, o próprio acusado admitiu ter armado um plano para matar Filadelfo e usou o celular da namorada para atraí-lo, se passando pela namorada e marcando mais o encontro. "Ele disse que, no dia em que pegou o celular da companheira, começou a passar mensagens como se fosse ela. E nesse sentido, ele isentou a companheira, afirmando que quem passou as mensagens e o marcou o encontro foi ele, e não ela. E na hora do crime, quando o professor se aproximou, ele [Yuri] já sabia de quem se tratava e foi logo atirando", informou Thereza. A namorada do acusado também alegou não ter conhecimento do crime, mas a delegada do DHPP afirma que o envolvimento dela ainda não está totalmente descartado e outras diligências precisam ser feitas para aprofundar tal versão.
A polícia ainda busca encontrar a arma usada no crime, mas vai pedir a prisão preventiva de José Yuri, que foi transferido para uma delegacia. Ele já respondeu a um processo por porte ilegal de arma e, segundo a delegada, já foi investigado por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas. Já a mulher deve ser liberada após a conclusão do inquérito, por causa da confissão do namorado. O inquérito deve ser concluído nos próximos 10 dias.

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