Garis de Aracaju permanecem em greve

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Por decisão judicial a direção do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial de Sergipe (Sindelimp) está disponibilizando um efetivo mínimo de 40% formado por garis e margaridas que atuam em Aracaju. O Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE) avaliou o movimento grevista como legal e permitiu a continuidade dos atos públicos desde que esta porcentagem fosse respeitada até o momento do reestabelecimento total das escalas. Desde o início da semana passada a classe trabalhadora já apresentava interesses de suspender as atividades e protestar contra a Empresa Cavo e a Prefeitura de Aracaju. O movimento grevista foi deflagrado na sexta e iniciado no sábado pela manhã.

Entre as reivindicações apresentadas consta o pagamento de horas extras, fim do atraso na emissão de contracheques, pagamento de salário família, regularidade do plano de saúde e qualificação imediata da água que atualmente é ofertada aos profissionais. Na manhã de ontem cerca de 120 garis se reuniram na sede da Cavo a fim de conhecer o cronograma operacional que segue com as atividades de rua. Diante da aglomeração, agentes da Guarda Municipal (GMA) foram encaminhados até o local com o propósito de evitar possíveis desordens públicas. A presença da corporação acabou inflamando ainda mais os ânimos dos empregados. Segundo Anderson Vidal, presidente do Sindelimp, a própria Cavo gerou o impasse.

O sindicalista protestou contra a falta de diálogos entre as esferas administrativas e garantiu que a greve segue por tempo indeterminado em todos os bairros da capital sergipana. Vidal informou também que a situação apenas será cancelada em caso de atendimento do pleito ou apresentação de contrapropostas que por ventura agradem aos trabalhadores. "Há muitos dias estamos querendo nos acertar com a empresa, mas a direção nunca está disponível para atender os representantes do Sindelimp. Infelizmente a Prefeitura de Aracaju também se mostra contra o cidadão trabalhador e já pediu ilegalidade da greve", lamentou. Com a paralisação, Aracaju volta a se transformar em canteiro de lixo com o acúmulo diário de 500 toneladas.

Na ótica da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), a nova greve dos garis trata-se de um ato ‘irresponsável’ e com características eleitoreiras. Para a assessora de comunicação da empresa, Cristina Rochadel, é preciso que a justiça intervenha contra os grevistas e decrete ilegalidade do movimento. "É uma manifestação sem lógica e tenho certeza que os líderes desse movimento têm noção da irregularidade. Essas horas extras não podem ser pagas porque não foram realizadas. Essa greve é mais uma atitude irresponsável promovida por uns diretores sindicais que ficam usando da inocência dos garis para atuar de forma lamentável. Já acionamos o nosso departamento jurídico para que possamos ingressar uma ação contra o sindicato", disse.

Por meio de nota a Empresa Cavo informou que "os cidadãos de Aracaju estão sendo prejudicados pela atitude irresponsável do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial de Sergipe, que deflagrou uma greve motivado por interesses alheios aos dos trabalhadores e da população, na qual espalha inverdades sobre a empresa. A Cavo reitera que segue estritamente o determinado pelo acordo coletivo de trabalho da categoria, assinado pelo Sindelimp".

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