Milton Alves Júnior
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Depois de 62 dias internada no Hospital Primavera, no Jardins (zona sul de Aracaju), a paciente Lívian Cristina Maia, 22 anos, vítima de um atropelamento ocorrido em 24 de julho deste ano na praia de Pirambu (Litoral Norte), recebeu alta médica e foi autorizada a ir para casa. Ela descansava em uma rede e amamentava o filho Benjamin, um bebê de apenas nove meses, quando foi atingida frontalmente por um quadriciclo. Com o impacto, Benjamim morreu no local, antes de ser atendido por equipes de resgate. Livian, por sua vez, em estado grave e com sinais de traumatismo crânio-encefálico, foi encaminhada inicialmente ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), e em seguida transferida para o Primavera.
Apesar da alta, a paciente segue realizando atividades para estimular os movimentos corporais e a fala. De acordo com o marido da vítima, William Maia, a tendência agora é que Livian seja submetida a um tratamento especializado na recuperação neurológica e motora. A princípio, o Hospital Sarah, em Brasília (DF), deve ser o novo local de terapia. Por meio das redes sociais, William comemorou o progresso da recuperação e agradeceu às mensagens de força recebidas nos últimos dois meses.
Desde a semana passada a jovem vinha apresentando melhora na visão do olho direito, além da postura corporal. Atividades clínicas também foram realizadas na tentativa de provocar gradativa recuperação da memória. "Como agora ela está falando, entendemos melhor suas dores e o seus desejos e memórias. Acredito que as memórias e conexões ainda estão se organizando, pois a batida na cabeça foi extremamente forte, e no tempo de Deus suas conexões e lembranças voltarão, e Deus nos dará (e apesar da dor tem dado) o consolo e a paz", publicou.
Quanto à mudança de estado, William destacou a necessidade de seguir os conselhos da equipe médica e buscar a melhoria ideal para Livian. A data da mudança para Brasília ainda não foi divulgada, mas deve ocorrer entre os próximos meses de outubro e novembro. "Segundo os médicos esses primeiros meses são muito importantes para a recuperação, estímulos cerebrais corretos, muita fisioterapia e fonoaudiologia, enfim, um acompanhamento focado nas condições atuais dela", pontuou. O marido não se pronunciou sobre a reação de Lívian ao saber da morte do filho, nem sobre os desdobramentos policiais e judiciais do trágico acidente.
Processo – O caso já foi investigado pela Polícia Civil, em inquérito presidido pela delegada de Pirambu, Annecley França Araújo. A condutora do quadriciclo, Fernanda Silva de Oliveira, 51, foi indiciada por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Com base na conclusão do inquérito, o Ministério Público da Comarca de Japaratuba (à qual Pirambu está vinculada), já ofereceu denúncia ao juiz Rinaldo Salvino do Nascimento, que em despacho dado na última quinta-feira, fixou um prazo de 10 dias para que a acusada e seus advogados apresentem a defesa por escrito.
Há 15 dias,o Instituto de Criminalística, entregou à Delegacia de Pirambu o laudo do veículo apreendido, que deve ser anexado ao processo. Salvino aguarda estas respostas para decidir se acolhe ou não a denúncia do MP. Caso aceite, Fernanda será considerada ré e passará pela instrução do processo, podendo ao final ser condenada a até quatro anos de prisão, conforme o Código Penal. A condutora chegou a ser presa em flagrante após o acidente, mas pagou fiança em 26 de julho e, desde então, responde ao processo em liberdade. (com Gabriel Damásio)


