Gabriel Damásio
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A paralisação da coleta de lixo por duas horas, que seria deflagrada ontem pelos quase 1 mil funcionários da empresa Cavo Saneamento, responsável pela limpeza urbana em Aracaju, foi suspensa ontem de manhã. A decisão foi tomada após uma assembleia na porta da garagem da empresa, no bairro José Conrado de Araújo (zona oeste). A categoria inicialmente cruzaria os braços por duas horas também na manhã de hoje, mas optou por dar um prazo até a noite de hoje para que sejam pagos os vales-transportes, tíquetes-refeição, horas extras e cestas básicas, que deveriam ser quitados no dia 1º de maio. Caso os benefícios não sejam pagos, a coleta será interrompida por 12 horas em toda a capital, a partir das 7h de amanhã.
De acordo com o Sindicato dos Empregados da Limpeza Pública e Comercial do Estado de Sergipe (Sindelimp), a direção da Cavo fez uma reunião com os dirigentes do sindicato na última sexta-feira, após uma primeira assembleia realizada na porta da empresa, e deu a garantia de que os benefícios seriam pagos até esta terça-feira. "Decidimos dar um voto de confiança para que a empresa possa honrar os seus compromissos até amanhã [hoje]. Os trabalhadores também decidiram dar esse voto de confiança, mas caso não resolva, iremos fazer a paralisação, que será uma advertência mais longa", disse o presidente do Sindelimp, Rayvanderson Fernandes, o ‘Montanha’.
Os empregados da Cavo reclamaram principalmente da falta de pagamento dos vales-transportes, o que, de acordo com eles, têm causados dificuldades e transtornos para o comparecimento deles ao trabalho. Isso inclui os relatos de que alguns garis teriam sido detidos por tentar entrar nos terminais de ônibus sem pagar as passagens. Eles se queixam ainda da falta de condições de trabalho e de estrutura para a execução da coleta de lixo, mas a direção prometeu resolver tais questões até o dia 31. "A empresa prometeu resolver a questão da falta de água, da ampliação dos banheiros e do fardamento do pessoal, cujas situações estavam deploráveis. As condições de trabalho precisam ser dadas, porque a empresa vai fazer dois meses que está aqui na capital e já deveria estar com a situação regularizada. Esperamos que ela acelere seu processo de organização", cobra ‘Montanha’.
Ainda de acordo com o sindicalista, outra questão está na falta de fiscalização da Prefeitura de Aracaju (PMA) sobre a forma como a Cavo está prestando o serviço de coleta de lixo. ‘Montanha’ explica que não há mais o uso de caçambas para o recolhimento do lixo comum, mas apenas para o apoio na coleta de entulhos e o transporte de caixas coletoras. Entretanto, há problemas no número de caminhões compactadores de lixo, que ainda estariam abaixo da quantidade normal. "A gente percebe visualmente que a empresa não tem a quantidade necessária de caminhões. Antes, o lixo era coletado por uma frota de 36 a 42 caminhões, e hoje não se vê menos de 30 veículos nas ruas. Isso é algo que precisa ser auditado e controlado pela contratante do serviço, que é a prefeitura", diz Fernandes, que pretende acionar a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) para que faça uma fiscalização na Cavo.
Respostas – Em nota, a Cavo Saneamento negou os atrasos nos pagamentos dos direitos e informa que "os funcionários estão recebendo salário, ticket refeição e vale-transporte em dia, através de conta corrente salário ou ordem de pagamento nos bancos Bradesco e Banese". A empresa garante ainda que "tem feito blitze de fiscalização para coibir qualquer ocorrência irregular na operação e está aberta ao diálogo com o sindicato da categoria para discutir possíveis ocorrências ou reivindicações".
A PMA, também em nota, também negou as reclamações de atrasos, e afirmou que os vales-transportes e outros benefícios estão sendo pagos em dia aos funcionários, mas atacou duramente o Sindelimp, acusando a diretoria da entidade de fazer uma "manobra política" para atingir a Emsurb, agir por "interesses pessoais" e "plantar inverdades publicamente sobre às relações de trabalho dos agentes de limpeza e a administração da empresa Cavo". Para o Município, "é de entendimento público que a diretoria do Sindelimp tem propósito político e isso reflete nesse contexto de falsa guerra social".
"Sobre alegações de não pagamento, falta de estrutura física e outros problemas, a Prefeitura de Aracaju conversou com a Cavo e na ocasião, foi relatado que alguns funcionários estão recebendo vale transporte através de ordem bancário ou em dinheiro. Visto que alguns do moram no interior e fazem uso do transporte interestadual, enquanto os demais receberam normalmente. Sobre o pagamento dos salários foi relatado que o mesmo aconteceu sem nenhum percalço. Já as reclamações sobre os banheiros, falta de água e estrutura física que comporte os trabalhadores, a Cavo informou que já foram avaliadas e estão sendo realizadas, e que em hipótese alguma quaisquer ajustes atrapalhariam no bom funcionamento da limpeza", diz a nota da PMA.
Ainda de acordo com a Prefeitura, uma decisão tomada na última sexta-feira pelo juiz Antônio Francisco de Andrade, do Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região (TRT-20), proibiu o Sindelimp de paralisar as atividades de coleta de lixo em Aracaju, sob pena de multa diária de R$ 20 mil, em caso de descumprimento.


