Gabriel Damásio
As gêmeas siamesas que nasceram em 29 de abril na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), onde estavam internadas em estado grave, morreram na madrugada de ontem, segundo informação confirmada pelo secretário adjunto de saúde do Estado, Luis Eduardo Prado Correia. Elas nasceram unidas pelo tórax e não resistiram a complicações causadas pela má-formação de alguns órgãos internos. As crianças, que ganharam os nomes de Lara e Laura, dividiam um único coração, em um caso considerado muito raro na medicina mundial.
As bebês ficaram 11 dias na UTI Neonatal da unidade, encontravam-se sedadas e respiravam com ajuda de aparelhos. A morte delas foi constatada por volta das 2h30, quando uma integrante da equipe plantonista constatou que as pacientes estavam muito pálidas e não tinham pulsação. Médicos e enfermeiros plantonistas se juntaram e chegaram a tentar massagens cardíacas para animá-las, mas sem sucesso.
O secretário adjunto esclareceu que não havia qualquer possibilidade de cirurgia de separação das meninas, pois o procedimento oferecia risco de morte para ambas. De acordo com Eduardo, o coração que mantinha a vida das gêmeas já se encontrava debilitado, o que representa outro fator complicador para o caso. “No caso delas, o coração estava praticamente no centro das duas, servindo às duas. Não havia nenhuma possibilidade [de separação]. Era esperar pelo pior mesmo, porque o caso era gravíssimo”, disse ele, acrescentando que a situação foi explicada e esclarecida aos familiares das bebês desde o início.
Luis Eduardo ainda assegurou que toda a assistência médica e psicológica foi prestada à família de Lara e Laura pelos profissionais da MNSL, que incluem cirurgiões, cardiologistas, geneticistas, psicólogos, enfermeiros e técnicos. Os corpos das gêmeas foram entregues à família no início da manhã e sepultados no mesmo dia. A mãe delas tem 21 anos e é de Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). Este foi o terceiro caso de gêmeos siameses já ocorrido em Sergipe nos últimos seis anos e, de acordo com a literatura médica, estima-se que a probabilidade de partos semelhantes, em todo o mundo, é de um para cada 100 mil.


